sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Dica de passeio para o final de semana

Uma boa dica de passeio para este fim de semana é visitar a Casa das Rosas, aqui pertinho, no número 37 da Avenida Paulista. O local é realmente lindo e vale a pena uma visita para conhecer de perto a arquitetura do início do século passado.


História

Pouco antes de morrer, o arquiteto Ramos de Azevedo projetou uma mansão para presentear a sua filha Lúcia e o marido, o engenheiro Ernesto Dias de Castro.

Localizado no número 37 da Avenida Paulista, o palacete ficou pronto em 1935. A família morou ali por 51 anos. Somente em 1986 a casa foi desapropriada e tombada pelo Governo do Estado e pelo o CONDEPHAAT – Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo. Restaurada, a mansão reabriria em seguida como Casa das Rosas – Galeria Estadual de Arte. Na época, abrigava mostras temporárias com obras do acervo artístico do Estado. Embora até hoje seja popularmente conhecida como Casa das Rosas, por causa das flores em seu jardim, desde 2004 tem o nome oficial de Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura.

Por dentro da Casa das Rosas

Construída em uma área de 5 500 metros quadrados, com trinta cômodos e um grande jardim inspirado no Palácio de Versailles, a mansão em estilo arquitetônico francês contrasta com os arranha-céus da Avenida Paulista. Ali acontecem cursos sobre poesia e literatura, além de exposições diversas e apresentações teatrais (veja a programação completa). Duas bibliotecas oferecem ao público um acervo especializado em poesia e outro que pertenceu ao poeta Haroldo de Campos.

A construção é subdividida em quatro pavimentos: porão, térreo, primeiro andar e sótão além do suntuoso jardim em volta da residência.

Porão

Antigamente funcionava ali a despensa, com acesso feito pela ala dos empregados, ao lado da cozinha. Atualmente, acomoda o acervo de cerca de 20 000 livros e periódicos que pertenceu ao poeta concretista Haroldo de Campos (1929-2003). A área é restrita aos funcionários, porém o material pode ser consultado no local.

Entre as raridades estão a primeira edição do livro Macunaíma, de Mário de Andrade, Marco Zero II, de Oswald de Andrade, com a capa original, e O Cão Sem Plumas, de João Cabral de Melo Neto, com dedicatória do autor ao poeta. Há ainda diversas traduções feitas pelo próprio Haroldo de Campos de obras em – tome fôlego – inglês, francês, espanhol, alemão, italiano, russo, hebraico, chinês e japonês.

Térreo

Para quem entra na casa, a primeira visão é o grande hall de entrada que fica de frente à bela escadaria de mármore de Carrara e um vitral colorido assinado pelo conhecido artesão Conrado Sorgenicht. À esquerda do hall principal, três grandes salas abrigam exposições temporárias e, à direita, no espaço que originalmente era a sala de jantar, funciona hoje uma lojinha de livros publicados pela Imprensa Oficial do Estado. Um corredor leva à cozinha, copa e três aposentos que eram destinados aos empregados, hoje o espaço armazena material administrativo. Entre as salas e a cozinha existe um banheiro e o elevador que dá acesso ao andar superior – construído ano passado para melhorar o acesso à biblioteca.

Primeiro andar

Ao subir as escadas, dois grandes cômodos. Um dos quartos era do marido de Lúcia de Azevedo, o engenheiro Ernesto Dias de Castro. Logo à frente, o dormitório que o casal compartilhava. Nesses ambientes foram montadas salas de aula, para os cursos da casa. Geralmente com duração de dois meses, custam 10 reais e estão abertos ao público. Para ter uma idéia da pauta, basta consultar o calendário de junho de 2008: André Domingues, jornalista especializado em música, ensina sobre o compositor Cartola (1908-1980) em aulas onde ouve-se muita história e, claro, música. A proposta é saber mais sobre o samba por meio da trajetória do artista. Até o dia 29 de junho está em cartaz a peça A Valsa das Solitárias, com Fernanda Cunha, Líria Varne, Patrícia Leonardelli.

Ainda no andar superior, funciona a biblioteca circulante da Casa das Rosas, de onde o público pode tomar livros emprestados. É o caso da obra completa do escritor Machado de Assis. No hall central, há uma exposição permanente de alguns exemplares da biblioteca de Haroldo de Campos e móveis que pertenceram ao seu escritório.







Não deixe de ver: dois banheiros continuam intactos e revelam a riqueza de detalhes da arquitetura da construção, ambos são bem espaçosos e revestidos com mármore.



Sótão

Originalmente, o último pavimento era uma área reservada aos serviçais da mansão. Nota-se a diferença de classes na arquitetura - com tetos sem ornamentos em gesso e banheiros em azulejos simples. O lugar serve hoje como espaço administrativo e só é aberto ao público em visitas monitoradas.

Jardim

Inspirado nos famosos jardins do Palácio de Versailles, na França, o espaço externo do casarão é de encher os olhos dos visitantes e de quem passa pela calçada na Paulista. Centenas de rosas de cores e tamanhos variados costumam florescer na primavera e no verão, por isso o lugar ganhou o apelido de Casa das Rosas. Hoje, um grande prédio comercial ocupa parte do terreno que antigamente era todo destinado ao jardim, dando fundos para a Alameda Santos. A garagem chegou dar lugar a um café, fechado no momento e com reabertura prevista para agosto de 2008.


Quem foi Ramos de Azevedo?

Um dos grandes nomes da arquitetura paulista, Francisco Ramos de Azevedo mudou a cara de São Paulo entre o fim do século XIX e o início do século XX. Com seu estilo eclético, que misturava padrões neoclássicos e neo-renascentistas, o arquiteto assinou obras que hoje são cartões-postais da capital como o Teatro Municipal, a Pinacoteca e o antigo Prédio dos Correios. Em parceria com o amigo Francisco de Paula Souza, fundou a Escola Politécnica. Ramos de Azevedo não pôde ver a Casa das Rosas concluída. Ele morreu sete anos antes e a obra foi assinada por Felisberto Ranzini.


Quem foi Haroldo de Campos?

Nascido em 19 de agosto de 1929, Haroldo Eurico Browne de Campos foi poeta, tradutor de poesia em várias línguas, ensaísta e crítico literário. Em 1952, fundou o Noigrandes, um grupo e uma revista, homônimos, que foram o embrião do movimento da poesia concreta. Haroldo dominava diversos idiomas e traduziu obras em inglês, francês, espanhol, alemão, italiano, russo, hebraico, chinês e japonês. Nos anos 80, estudou hebraico e começou a traduzir textos bíblicos, que resultaram no livro Éden: um Tríptico Bíblico. Também traduziu na íntegra a Ilíada de Homero, do grego para o português. Já no fim da vida, ele trabalhou em transcrições de poemas em egípcio antigo. O poeta faleceu em 2003 e sua biblioteca particular foi doada à Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo.


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