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sexta-feira, 31 de julho de 2009

A elegância do desespero


Eu entrevistei o ator e diretor teatral Cacá Rosset para uma matéria sobre a comédia no teatro, publicada hoje (31/07) no caderno Melhor do Mês, da Folha de S. Paulo. O cara é fera mesmo nessa área, e, segundo ele, o RISO TAMBÉM PODE SER CONSIDERADO "A ELEGÂNCIA DO DESESPERO". Segue abaixo:


EM CARTAZ, A ARTE DE FAZER RIR

Textos pra lá de irreverentes e novos estilos de fazer comédia garantem o bom humor dos paulistanos nos palcos da capital


Por Márcia Vilas Boas

Mais do que interpretar, fazer rir é um dom que dificilmente se adquiri em escolas ou cursos de teatro. O talento para arrancar gargalhadas do público, muitas vezes com poucas palavras, está embutido na pessoa. É o que os críticos chamam de “veia cômica”. Talvez por isso mesmo seja muito mais fácil encontrar bons atores na área da dramaturgia do que na comédia. A visão é do ator e diretor Cacá Rosset, um dos fundadores do grupo teatral Ornitorrinco – sucesso há 32 anos nos palcos do Brasil e do Mundo.

“A dificuldade em fazer comédia está no fato de o riso passar, necessariamente, por um crivo intelectual. Você pode comover um espectador utilizando um registro apenas emocional. Mas o humor precisa de uma certa elaboração. Tanto, que qualquer cebola faz uma pessoa chorar, mas até hoje não descobriram um legume que a faça rir", destaca Rosset.

Presença nos palcos desde 1977, quando estreou o espetáculo Os Mais Fortes, de August Strindberg, encenada no porão do Teatro Oficina, o grupo Ornitorrinco inaugurou uma nova estética teatral, cujos ingredientes principais sempre foram a irreverência, a presença das artes circenses e a nudez pudica, estilo que conquistou de imediato a empatia do público.

Sobre o estrondoso sucesso alcançado de lá pra cá, – história que o público poderá conferir na biografia “Teatro Ornitorrinco, 30 anos”, com texto do jornalista Guy Corrêa, design do artista gráfico Victor Nosek e coordenação editorial de Christiane Tricerri, a ser lançada em breve –, Rosset diz dever-se ao fato de o grupo escolher espetáculos de qualidade, como Shakespeare, Molière, Strindberg, Brecht, entre outros. “Além disso, sempre nos preocupamos em fazer um teatro vivo, em sintonia com o espectador contemporâneo e, acima de tudo, um teatro divertido, uma celebração ao riso”, complementa o ator.

Rosset também enfatiza o ótimo momento vivido pelo teatro brasileiro, com muitas peças de qualidade em cartaz e um cardápio variado para agradar a qualquer tipo de público. Com destaque para o crescimento do gênero stand- up – espetáculo de humor originário dos Estados Unidos, executado por apenas um comediante que interpreta textos originais, normalmente construídos a partir de observações do cotidiano e sem o uso de acessórios, cenários, caracterização, personagem ou do recurso teatral da quarta parede.

Questionado sobre que conselho daria a quem pretende seguir no gênero, Rosset é enfático: “não se ensina alguém a ser engraçado. Para fazer rir é preciso, antes de tudo, ter talento e ver o mundo por um viés cômico. O que se aprende na escola são técnicas para melhorar a qualidade do humor. Mas o fundamental da comédia, o time, que é quase uma respiração interior, ou a pessoa tem ou não tem”.


DIVIRTA-SE

Gloriosa (últimas apresentações) – Acostumada a buscar notas perfeitas, Marília Pêra precisou desaprender a cantar para poder desafinar em cena. Na comédia musical Gloriosa, escrita por Peter Quilter, ela vive a americana Florence Foster Jenkins, que sem nenhum talento lírico decidiu seguir carreira no mundo da ópera. Até 02/08. Sexta, às 21h30, sábado, às 21h00, e domingo, às 18h00. Teatro Procópio Ferreira – Rua Augusta, 2823 – Jardim Paulista. Tel.: (11) 3083-4475. R$ 80 (sex. e dom.) e R$ 90 (sáb.).

Humor de salto alto – Espetáculo no formato clássico do stand-up, onde o elenco fixo de quatro mulheres recebe um convidado masculino por apresentação e que fica concebido em ser o mestre de cerimônias da noite. Temas do cotidiano e experiências próprias serão contados de forma irreverente pelas personagens. Até 05/09. Sábados, às 23h30. Espaço Cultural Juca Chaves - Teatro Extra Itaim – Rua João Cachoeira, 899 - Itaim Bibi. Tel: (11) 3073-0044. Estacionamento gratuito no supermercado mediante apresentação do carimbo do teatro. R$30.

Muito fogo e um copo d’água – A trama conta de forma hilariante como um casal completamente diferente – Katherina, com um gênio explosivo, e Petruchio, altamente dominador – podem combinar tão bem. Entre piadas sutis e toques de ironia, o quarteto de atores do Grupo Gladiatores arranca gargalhadas do público do início ao fim. Até 16/8. Domingos, às 18h00. Teatro do Ator: Praça Roosevelt, 172 – Consolação. Tel.: 3257-2264. De R$ 10 até R$ 20.

Velório à Brasileira – A peça apresenta a história bem-humorada de personagens inusitados que disputam o prêmio da loteria de um defunto. Até 27/09. Sábados, às 19h00, e domingos, às 18h00. Teatro Santo Agostinho: Rua Apeninos, 118 - Liberdade. Telefone: (11) 3209-4858 / 6457-2976. R$ 30.

Amante do meu marido – Mais de 70 mil espectadores já se divertiram com as trapalhadas de Dorothy – a empregada confusa, e os casos de seu patrão, que sonha em ser ator, mas acaba por provocar um mal-entendido fazendo com que sua mulher pense que ele é homossexual. Até o final de novembro. Sextas, às 21h30, sábados, às 21h00, e domingos, às 19h30. Teatro Ruth Escobar – Sala Gil Vicente: Rua dos Ingleses, 209 - Bela Vista. Tel.: (11) 3289-2358. www.ruthescobar.apetesp.org.br. De R$20 até R$ 40.


quarta-feira, 22 de julho de 2009

Vale a pena ver


GLORIOSA,
em cartaz no Teatro Procópio Ferreira.


Marília Pêra está (como sempre) fantástica nesta comédia com direção de Charles Möeller e Claudio Botelho A peça tem uma hora e meia de duração, com intervalo de 15 minutos para o público poder descansar os ouvidos. Afinal, Marília consegue tornar sua bela voz em uma tortura no papel da desafinada Florence. E se não fosse ela interpretando tal papel, talvez o público não ficaria para ver o fim da história.

Não menos gloriosos, o ator Eduardo Galvão interpreta o pianista Cosme MacMoon, e a atriz Guida Vianna dá um show na pele de uma empregada doméstica mexicana, arrancando boas risadas da plateia. Guida também incorpora a melhor amiga de Florence, Dorothy, e Verida, uma espectadora nervosa com a falta de talento da diva.

Palmas para o cenógrafo Rogério Falcão e para a figurinista Kalma Murtinho, com destaque para o vestido branco, bordado, usado por Marília na última cena, onde ela canta lindamente, já despida da personagem sem talento, e arranca aplausos de todos.

RESENHA

Acostumada a buscar notas perfeitas, Marília Pêra precisou desaprender a cantar para poder desafinar em cena. Na comédia musical Gloriosa, escrita por Peter Quilter, ela vive a americana Florence Foster Jenkins, que sem nenhum talento lírico decidiu seguir carreira no mundo da ópera.

Filha de um banqueiro, Florence herdou todo o dinheiro do pai e decidiu investir em sua própria carreira de soprano. Dona de grande autoestima, ela só não tinha uma coisa: talento.

Além de Marília, o elenco conta com dois grandes atores: Guida Vianna, que se desdobra em três papéis: Maria, a empregada; Dorothy, a amiga; e Verinda, a mulher que humilha Florence durante um recital. E Eduardo Galvão, que interpreta Cosme McMoon, o pianista que acompanhou Florence até o fim de sua vida. A direção é de Charles Möeller e Cláudio Botelho, com produção de Claudio Tizo e Sandro Chaim.

DE 05 DE JUNHO A 02 DE AGOSTO

Teatro Procópio Ferreita - Rua Augusta, 2.823 - Cerqueira César. Telefone: 11 3083.4475

Duração: 1h45

Dias/Horários

Quinta e sábado às 21h / sexta às 21h30 / domingo às 18h

Preço: R$ 70,00 (Quintas), R$ 80,00 (Sextas e Domingos),

R$ 90,00 (Sábados)

Faixa Etária: 12 anos