segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Gastronomia em alta


Para quem quer se especializar na arte da gastronomia, a Escola São Paulo oferece diversos cursos. Anote na agenda: dia 15 de setembro - O Vinho e a Cultura Francesa -, com o jornalista Josimar Melo; dia 8 de outubro - Gastronomia Contemporânea -, com a chef Paola Carosella; e dia 27 de outubro - Gastronomia Judaica Contemporânea -, com a chef Andrea Kaufmann. A Escola São Paulo é um espaço dedicado a atividades como: estudo, pesquisa, produção e reflexão sobre a cultura contemporânea. Ela reúne os melhores formadores de opinião, profissionais e estudiosos de várias áreas, e está sempre buscando novos recursos para aprimorar o conhecimento de seus alunos. Informações e inscrições pelo telefone (11) 3060-3636.

A arte de soborear o café

Já para os amantes de um bom café, a escola promoverá nos dias 5, 19 e 26 de outubro (2ª feira), das 19h às 21h, um curso de Degustação de Café. A duração total será de seis horas e o custo é de R$ 135,00.

O curso apresentará os aspectos históricos, econômicos e culturais do café. Também serão explicados os tipos de cafés e seus modos de cultivo. Para complementar, ocorrerá uma degustação da bebida em cada aula.

O curso será ministrado pela nutricionista Claudoa Leite, formada pela USP e graduada em hotelaria pelo SENAC. A especialista fez mestrado em Análise Sensorial de Cafés, pela USP, além de cursos de formação em cafés no Brasil, Suiça e Áustria. Atualmente, é responsável pelos negócios corporativos da Nespresso Brasil.


SERVIÇO

Escola São Paulo
Rua Augusta, 2239 - Consolação
Fone: (11) 3060-3636
www.escolasaopaulo.org

Coitado do pinto

Não pegue o lixo dos outros


Outro dia eu estava num taxi e ouvi pelo rádio uma parábola bem interessante. Segue:

Muitas pessoas são como caminhões de lixo. Andam por ai carregadas de lixo, cheias de frustrações, cheias de raiva, traumas e de desapontamento. À medida que suas pilhas de lixo crescem, elas precisam de um lugar para descarregar, e às vezes descarregam sobre a gente. Não tome isso pessoalmente. Isto não é problema seu!

Apenas sorria, acene, deseje-lhes bem, e vá em frente. Não pegue o lixo de tais pessoas e nem o espalhe sobre outras pessoas no trabalho, em casa, ou nas ruas. Fique tranquilo…

O princípio disso é que pessoas bem sucedidas não deixam os caminhões de lixo estragarem o seu dia. A vida é muito curta para levantar de manhã com sentimentos ruins, aborrecimentos do trabalho, picuinhas pessoais …; assim… Ame as pessoas que te tratam bem. Ore pelas que não o fazem. Peça a proteção de Deus para tais pessoas…

A vida é dez por cento o que você faz dela e noventa por cento a maneira como você a recebe!

Fique livre de lixo! (autor desconhecido)


Agora sim...


I have red hairs!

Desistir ou não?


Outro dia eu escrevi aqui sobre a hora de desistir, de recuar, voltar atrás... Hoje eu me peguei novamente pensando nisso.

Até onde vale a pena lutar? Será que em certos casos não estamos dando murro em ponta de faca repetidas vezes?

Não sei, mas me parece que o mais sensato, em alguns momentos, é mesmo desistir. Deixar aquele sonho pra lá e correr atrás de outro. Tem coisas que não são pra ser nossas. Aí não adianta ficar remando contra a maré. Só vamos cansar os braços sem sair do lugar.

Eu sei que parece cômodo demais. Mas não é. Desistir de algo que se quer muito é muito mais difícil, para algumas pessoas, que continuar lutando. É assumir o fracasso, ver o sonho se despedaçar sem poder fazer mais nada. É horrível a sensação de estar de mãos atadas.

Contudo, desistir também significa ter de procurar um novo caminho, uma nova razão pra continuar em frente. Porque não se pode viver sem um sentido. A alma precisa de sonhos, assim como o corpo necessita do alimento.

E o sonho nada mais é do que o combustível que nos impulsiona pra frente.


Pensamento do dia...


"Podemos escolher o que semear,
mas somos obrigados a colher aquilo de plantamos"

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

E o mico da semana vai para....



O FINAL DA NOVELA CAMINHO DAS ÍNDIAS, CLARO.
COM 100% DE INDIGNAÇÃO


Are Baguandi...
O que foi a sequência do reencontro entre o Raj e a Maya?


Isso sem falar da cena do casamento do Bahuan (personagem principal no início da trama),
que durou menos de 10 segundos e não teve fala.

E a fulga da Yvone, que ninguém sabe e ninguém viu.

Os Dalits viraram Brâmanes e puderam abraçar e beijar todo mundo.

Os vilões se deram bem e viveram felizes pra sempre,
aplicando golpes e atropelando pessoas na rua.

As najas peçonhentas viraram adoráveis coalas.


Por Shiva, será que a Glória Perez tomou muito sol no Deserto do Saara
ou será que engoliu aquela água suja do Ganges???

Não, ela fez de propósito mesmo.

E olha que eu já vi final de novela ruim, mas igual esse... ARE BABA!!!

Tenha santa paciência. Por isso que eu parei de seguir novela.

Vou assistir Chaves em DVD, é muito mais divertido!

TIKE!!!

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Pensamento do dia...


"Muitas vezes preferimos morrer um pouco a cada dia em nossa vidinha cômoda, a arriscar abrir a porta do desconhecido que nos poderá levar a novos horizontes."

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Pensamento do dia...


"Os homens distinguem-se pelo que fazem;
as mulheres pelo que levam os homens a fazerem."
(Carlos Drummond de Andrade)



quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Adrià, um alquimista na cozinha

Personagem curioso, um misto de Peter Pan e alquimista, o catalão Ferran Adrià, 47 anos, é o cozinheiro mais badalado do momento. Suas criações no restaurante El Bulli, no litoral da Catalunha, são uma festa de cores e leveza.

No raiar dos anos 90, no pujante mundo da alta gastronomia, era praticamente um consenso que a Nouvelle Cuisine tivesse esgotado qualquer possibilidade de uma outra grande revolução nos fogões e que seus princípios norteariam a cozinha do futuro. Também era quase inquestionável que a França se mantinha senhora absoluta dessa arte e seguiria exportando-a para o resto do planeta sem que nenhuma outra nação lhe fizesse sombra. Nada indicava qualquer sinal de mudança no horizonte, até que surgiu Ferran Adrià.

Nascido em 14 de maio de 1962, em Hospitalet de Liobregat, cidadezinha dos arredores de Barcelona, na Espanha, o chef catalão Ferran Adrià Acosta é um autodidata sem tradição familiar no ramo, que, muito mais por acaso que por vocação, aos dezoito anos de idade, para ganhar um dinheiro extra nas férias, começou a trabalhar na cozinha lavando pratos.

Em pouco mais de vinte anos de carreira, ele se tornou um mito, com um séqüito de admiradores e seguidores espalhados pelo mundo todo. Seus livros tornaram-se best-sellers.

Mais que a uma cozinha de base mediterrânea e concepções futuristas, Adrià gerou uma nova cultura gastronômica baseada no produto, no trabalho e na técnica. Para a revista Time americana, ele revolucionará a cozinha do século 21; a revista Business Week o incluiu entre os 50 líderes das grandes mudanças na Europa no século passado; Paul Bocuse declara aos quatro ventos que com Adrià se inicia algo verdadeiramente novo; o grande Jöel Robuchon o considera seu herdeiro natural.

Gênio, mago, surpreendente, instigante, inovador, polêmico. Algum desses adjetivos, quando não todos, sempre surgem quando o tema é Ferran Adrià, o chef que vem virando a culinária de cabeça para baixo com sua cozinha totalmente fora dos padrões conhecidos, batizada de "desconstruída", ou da "desconstrução."

Nela, cores, aromas, texturas e sons jogam continuamente com a imaginação. O impacto visual é forte. A cada minuto um matiz diferente se apresenta. O degustar tem ritmo e provoca sensações indescritíveis. Tudo é inusitado - os coquetéis têm diversas temperaturas e texturas, as sopas são sólidas; os ravioles explodem na boca provocando uma sensação líquida; pratos complexos como a paella são sintetizados num único grão que você come e sente o exato gosto de uma paella; as gelatinas são quentes. o sorvete é salgado... Cada um dos canapés, entradas, pratos e sobremesas que integram o menu degustação de Ferran Adrià constitui uma provocação para os sentidos.

Acreditando que ser criativo é não copiar nada, ele se fez célebre pensando no que ninguém havia pensado antes. Para conseguir uma mousse que conservasse todo o sabor natural de seu ingrediente principal e, ao mesmo tempo, tivesse uma perfeita e etérea ligeireza, usou o sifão, aquele de fazer chantilly, e, substituindo os ovos e o creme de leite por gelatina, deu vida a delicadas espumas. Transformou o foie gras numa textura suave e borbulhante, assim como a água do mar, o queijo parmesão ou qualquer fruta de época que cruzasse por seu laboratório. Mas esta é apenas uma das inovações do chef cuja imaginação e ousadia parecem não ter fim. A cada temporada, Adrià surpreende o universo gastronômico oferecendo um novo espetáculo sem paralelo na história da cozinha.

Seu restaurante, o El Bulli, tem sido palco de experiências gastronômicas transcendentais que atraem gourmets de todo o mundo a Cala Montjoi, uma pequena enseada da Costa Brava espanhola, nas imediações da cidade de Roses, a 170 Km de Barcelona. Detentor, desde 1997, das cobiçadas 3 estrelas do Guide Michelin (Adrià foi o mais jovem chef de cozinha a conquistar essa láurea) e consagrado nos principais guias gastronômicos do mundo, o El Bulli funciona seis meses por ano (de 28 de março a 30 de setembro) com 58 pessoas trabalhando para atender, a cada noite, apenas a 50 comensais que, em geral, fizeram suas reservas com um ano de antecedência.

Aquele que consegue uma mesa no El Bulli sabe que tomará parte de um ritual incomum, totalmente calculado para promover um resultado inesquecível. Não há menu e é Adrià quem decide as iguarias, de 20 a 30 em média, que irão compor o menu degustação de cada noite. Determina, também, como deverão ser degustadas - num só bocado, ou em dois, acompanhado desse ou daquele vinho e, até, em que momento beber um gole. Todos se entregam sem discutir às orientações dos garçons e ninguém se arrepende. Dizem que "é inútil tentar ser o mesmo depois de se ter comido no El Bulli".

A cozinha do restaurante, toda em aço, mais se parece com uma estação espacial. Sua iluminação especial deixa em evidência a equipe de 30 profissionais - chefs, sous-chefs e ajudantes que, num silêncio quase solene e absoluta tranquilidade, vão e vem pelo recinto, elaborando delícias surpreendentes.

Ele diz que "sua cozinha tem forte inspiração catalã e é uma evolução moderna da culinária mediterrânea, com diferentes associações de seus ingredientes e técnicas de preparo. Que seu estilo é resultado de uma investigação constante, produtos da estação de altíssima qualidade e uma técnica impecável". Lembra que "embora a culinária tenha algo de magia, exige grandes doses de trabalho e que as receitas magistrais não surgem por arte de nenhum abracadabra".

Durante os seis meses em que seu restaurante fica fechado, Adrià se entrega à pesquisa do próximo cardápio do El Bulli, seja em viagens, seja em seu laboratório em Barcelona, instalado num antigo palacete do século 19 totalmente reformado. Lá, com seu irmão Alberto, o responsável pelas sobremesas do restaurante - tão insólitas quanto os pratos, e com uma equipe de mais de uma dezena de profissionais, trabalha exaustivamente para que suas invenções tomem corpo.

Ferran Adrià é um trabalhador incansável e. embora prefira a reclusão da cozinha, tem sido cada vez mais assediado. São inúmeras entrevistas, concursos, homenagens, prêmios. Viaja pelo mundo, sob os auspícios do Instituto Espanhol de Comércio Exterior para, através de sua arte culinária, difundir a cultura espanhola e seus produtos. Para ele, "não há azeite de oliva, presunto ou vinho melhores que os da Espanha". Tem, também, prestado assessoria para diversas empresas, entre elas, o Hotel Hacienda Benazuza, Casino de Madrid, Kaiku, Cerâmicas Montgatina, e a catalã Borges, para a qual o chef desenvolveu uma linha de 10 azeites aromáticos que pode ser encontrada no Brasil.

Seu mais novo projeto, desenvolvido junto à cadeia NH Hotéis, é o conceito "Nhube", que incorpora aos hotéis aquilo que mais gostamos de encontrar quando chegamos em casa: um espaço multifuncional onde se pode conversar, ver televisão, navegar pela Internet, colocar e escutar uma música e, também, comer , beber e relaxar. A ideia é reunir, num único espaço, o salão social, o bar, a cafeteria, o restaurante, a biblioteca. Tudo isso envolto numa atmosfera flexível, onde o espaço e a iluminação se transformam segundo os diferentes momentos e necessidades do dia. Os primeiros "Nhubes" já estão funcionando em Bilbao e Madri e o Brasil está nos planos do grupo também.

Mas que ninguém imagine que Ferran Adrià seja um homem obcecado pelo trabalho, ele é, sim, um apaixonado pela cozinha que busca ter e dar prazer com seu trabalho. E consegue.

Pode-se partilhar ou não de seus critérios, seu estilo e sua maneira de entender a comida, mas ninguém pode negar que Ferran Adrià desenvolveu infinitamente a imaginação, contribuindo para desinibir mentes e paladares. Ao mesmo tempo, fulminou todos os conceitos e técnicas em uso e desestruturou os valores eternos dos gourmets clássicos. Adrià fez em pedaços a história dos fogões para contar-nos uma versão nova, pessoal, intransferível e única. (Fonte Grande Chefs do Mundo)


EL BULLI

Cala Montjoi, a 6 km de Roses (Girona)
Fone:34 972 150 457
Preço: média de US$ 100
www.elbulli.com


É AMOR

Quando encontrar alguém e esse alguém fizer

seu coração parar de funcionar por alguns segundos,

preste atenção: pode ser a pessoa

mais importante da sua vida.


Se os olhares se cruzarem e, neste momento,

houver o mesmo brilho intenso entre eles,

fique alerta: pode ser a pessoa que você está

esperando desde o dia em que nasceu.


Se o toque dos lábios for intenso, se o beijo

for apaixonante, e os olhos se encherem

d'água neste momento, perceba:

existe algo mágico entre vocês.


Se o 1º e o último pensamento do seu dia

for essa pessoa, se a vontade de ficar

juntos chegar a apertar o coração, agradeça:

Algo do céu te mandou

um presente divino : O AMOR.


Se um dia tiverem que pedir perdão um

ao outro por algum motivo e, em troca,

receber um abraço, um sorriso, um afago nos cabelos

e os gestos valerem mais que mil palavras,

entregue-se: vocês foram feitos um pro outro.


Se por algum motivo você estiver triste,

se a vida te deu uma rasteira e a outra pessoa

sofrer o seu sofrimento, chorar as suas

lágrimas e enxugá-las com ternura, que

coisa maravilhosa: você poderá contar

com ela em qualquer momento de sua vida.


Se você conseguir, em pensamento, sentir

o cheiro da pessoa como

se ela estivesse ali do seu lado...


Se você achar a pessoa maravilhosamente linda,

mesmo ela estando de pijamas velhos,

chinelos de dedo e cabelos emaranhados...


Se você não consegue trabalhar direito o dia todo,

ansioso pelo encontro que está marcado para a noite...


Se você não consegue imaginar, de maneira

nenhuma, um futuro sem a pessoa ao seu lado...


Se você tiver a certeza que vai ver a outra

envelhecendo e, mesmo assim, tiver a convicção

que vai continuar sendo louco por ela...


Se você preferir fechar os olhos, antes de ver

a outra partindo: é o amor que chegou na sua vida.


Muitas pessoas apaixonam-se muitas vezes

na vida poucas amam ou encontram um amor verdadeiro.


Às vezes encontram e, por não prestarem atenção

nesses sinais, deixam o amor passar,

sem deixá-lo acontecer verdadeiramente.


É o livre-arbítrio. Por isso, preste atenção nos sinais.

Não deixe que as loucuras do dia-a-dia o deixem

cego para a melhor coisa da vida: o AMOR !!!"

(Carlos Drummond de Andrade)


Pensamento do dia - Anjos existem

Sim, anjos existem e estão entre nós.

Mas não anjos de asas e de cabelos cacheados, mas, sim, anjos que chegam quando menos esperamos.

Que estendem a mão quando estamos caídos.

Que trazem palavras de consolo quando lágrimas rolam de nossas faces.

Que semeiam a alegria em nosso caminho, quando nos deixamos envolver pela tristeza.

Que contam piadas para nos fazer rir.

Que respeitam nossas limitações, mas sempre nos estimulam a ir à frente.

Que não julgam nossos erros, mas nos mostram que recomeçar é possível.

Que trilham os caminhos de espinhos ao nosso lado.

Que não nos abandonam quando as tormentas se aproximam.

Que também sentem o nosso sofrimento, mas buscam nos mostrar um novo horizonte.

Que vibram com nossas conquistas, mesmo as mais simples.

Que cultivam o otimismo ao nosso redor.

Que nos mostram o poder da fé em nossas vidas.

Que confiam em nossa reforma íntima.

Que nos encorajam a não temer a porta que se abre.

Que nos acompanham tanto nos dias de chuva como de sol.

Que nos dão conselhos, mas também nos mostram que somos nós que mudaremos nossas vidas.

Que nos aquecem diante da solidão.

Que nos ajudam a cuidar de nossas feridas.

Que valorizam nossas qualidades e nos fazem perceber o potencial que temos dentro de nós.

Que trazem a luz quando estamos perdidos entre as trevas.

Que nos ensinam o valor da humildade e da perseverança.

Que nos envolvem com o verdadeiro amor, sem nada pedir em troca.

Que estão sempre presentes, mesmo quando o físico não está.

Que nos colocam em suas preces.

Que lutam conosco diante das dificuldades.

Sim, anjos existem e são aqueles companheiros que surgem em nossa jornada e caminham ao nosso lado.

Mas também precisamos compreender que se faz necessário ser um anjo na vida de alguém.

Todos nós podemos, com um simples gesto, levar amor e esperança.

Sejamos um anjo na vida de alguém e assim a Providência Divina também nos envolverá com a sua proteção e as caravanas de luz chegarão até nós.

Pois como disse Francisco de Assis: “É dando que se recebe, é amando que se é amado”.

Hoje e sempre.


quarta-feira, 2 de setembro de 2009

As sete maiores mentiras do currículo

De cada dez currículos que chegam às empresas, quatro têm informações distorcidas. E outros dois contêm mentiras deslavadas.

A conclusão é da empresa de investigações Kroll, que presta serviço de análise de currículos para companhias, depois de analisar os dados de candidatos a emprego de nível gerencial para cima. A maquiagem curricular não é exclusividade brasileira. Nos Estados Unidos, a taxa de invenções destinadas a impressionar contratantes é bem parecida, segundo análises independentes do site Career Building e da consultoria Accu-Screen, especializada em vasculhar referências de candidatos a emprego.

O problema deverá crescer com o acirramento da competição por empregos. Desde o início da crise econômica, no final do ano passado, o Brasil fechou 700 mil vagas de emprego formal. E muita gente que se sente ameaçada já está tratando de procurar alternativas. A Manpower, empresa especializada em recrutamento, registrou um aumento de 50% no número de currículos recebidos. Numa situação assim, cresce a pressão para se destacar dos concorrentes e, consequentemente, a tentação de mentir ou exagerar no currículo. Não vale a pena.

Especialistas afirmam que mentir para arrumar emprego é um equívoco, em tempos de crise ou não. “Mentir pode garantir mais entrevistas, mas não garante emprego. Na verdade ajuda a afugentá-lo”, afirma o colunista de ÉPOCA Max Gehringer. Uma mentira, por mais “inocente” que seja, deixa o candidato numa situação constrangedora e quase sempre acaba eliminando suas chances de obter o emprego. “Para um selecionador, se o candidato mente na porta de entrada, é bem provável que continue mentindo”, diz Lizete Araújo, vice-presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH).

É raro uma lorota relevante se manter de pé depois de um escrutínio do entrevistador. Em geral, ele é um profissional treinado para explorar as contradições entre o que está no papel e a fala do candidato. “Diante da capacitação que o pessoal de RH está adquirindo, é ingenuidade achar que dá para levar uma mentira adiante em uma entrevista”, afirma Carlos Eduardo Dias, sócio da Asap, empresa especializada em profissionais em início de carreira. Nas entrevistas, cada tópico listado no currículo é destrinchado pelo selecionador. Uma hesitação maior ou uma pequena incoerência já são um alerta de que aquele ponto é duvidoso.

Após a entrevista, os aprovados ainda passam pela peneira da checagem das referências – uma tarefa cada vez mais minuciosa em departamentos de RH e consultorias. “Hoje em dia, os selecionadores já têm conhecimento técnico para avaliar candidatos de setores muito específicos”, afirma a consultora Juliana Marotta, da Manpower. Ela é responsável pela checagem de currículos de aspirantes a vagas no setor de tecnologia da informação.

Os principais “maquiadores de currículo” são os jovens em início de carreira. Carentes de experiência, eles tendem a engordar seus CVs copiando modelos prontos, que geralmente pecam pelo exagero. Entre os candidatos a cargos mais graduados, como o de gerentes ou diretores, o risco de mentir é muito alto, até porque as empresas costumam investir mais na checagem. “Uma contratação de alto executivo é um investimento estratégico e delicado, por isso os cuidados de segurança são altos”, afirma José Augusto Minarelli, que há 26 anos ajuda executivos demitidos a arranjar emprego. Isso não significa que não haja mentiras nos altos escalões. Em 2007, Marilee Jones, a reitora da mais renomada universidade de tecnologia dos Estados Unidos, o Massachusetts Institute of Technology, pediu demissão. Motivo: descobriram que ela havia listado três cursos de especialização que não cursara.

É óbvio que a peneira dos selecionadores não identifica todos os mentirosos. Porém, mesmo os que conseguem vaga têm de conviver com o risco de ser desmascarados a qualquer momento, com consequências sérias para sua imagem profissional. Sem contar o drama de consciência por ter mentido. A seguir, as sete mentiras mais comuns, mencionadas por uma dezena de recrutadores e consultores, e as técnicas para detectá-las.

1. Idiomas

É a mentira mais popular. Trata-se daquele inglês “básico” que no currículo se torna “avançado”. É também a mentira mais fácil de ser identificada. Ocorre principalmente em seleções de jovens profissionais que não esperam uma avaliação rigorosa de seu domínio de idioma estrangeiro. Um simples teste ou uma conversa com o recrutador são suficientes para desmascarar o monoglota.

2. Qualificação

Inventar uma especialização técnica ou transformar um curso rápido em pós-graduação também são manobras muito comuns – e fatais – nos processos de seleção. Além da questão moral, se a fraude é descoberta, leva à dúvida sobre todas as competências que o candidato afirma ter. Essas mentiras são normalmente descobertas na entrevista, quando o recrutador pede detalhes dos cursos realizados – nome dos professores, das disciplinas etc. Se o candidato conseguir manter a farsa, ele ainda pode ser desmascarado quando checadores ligam para a universidade para conferir as informações. Algumas empresas são mais diretas: exigem o certificado dos cursos.

3. Cargos e funções

Muitos candidatos mentem sobre cargos em empregos anteriores para demonstrar experiência ou pleitear salário mais alto. Assim, um estagiário pode virar assistente, um supervisor vira gerente, e por aí vai. São dados de checagem relativamente fácil quando a entrevista é bem feita: o candidato costuma escorregar nos detalhes sobre seu passado profissional.

4. Participação em projetos

Esse tipo de mentira, relacionada a conquistas e projetos implementados em empregos anteriores, exige um esforço maior do recrutador. Por causa do passar do tempo e da rotatividade das empresas, muitas vezes é difícil entrar em contato com antigos colegas do projeto mencionado. Segundo Max Gehringer, esse problema começou a surgir nos anos 1980, quando passaram a circular currículos em primeira pessoa. “O currículo com as palavras ‘liderei’ ou ‘coordenei’ é complicado porque são ações difíceis de ser mensuradas e com resultados muitas vezes subjetivos”, diz Max. A estratégia dos recrutadores para detectar as invencionices é levar a entrevista a um nível de detalhe extremo, para capturar contradições.

5. Motivo de desligamento

Se percebida, a mentira sobre os motivos da saída de empregos anteriores desperta a impressão de que o candidato quer esconder algo. Demissões nunca são bem vistas. Mas hoje, com a rotatividade tão alta, deixaram de ser um estigma. Mesmo assim, devem ser explicadas. Se o desligamento foi espinhoso, o melhor é demonstrar maturidade, assumir eventuais maus passos e mostrar que o episódio serviu de lição. Jogar a culpa no ex-chefe é tentador, mas o efeito é quase o mesmo de um pedido para desistir do processo de seleção.

6. Datas de entrada e saída de empregos

Esticar em alguns meses a permanência no emprego anterior pode ser até aceito pelo selecionador, para quem tem vergonha de dizer que estava desempregado. “Mas a manipulação de datas é intolerável quando ela tenta esconder um padrão de permanências curtas nos empregos”, afirma Vander Giovani, da Kroll. Uma ou duas passagens curtas podem ser devidas a dificuldades de adaptação, diz Giovani. Mais que isso é sinal de instabilidade e falta de habilidades sociais. “Há aqueles que nem sequer colocam experiências curtas para não destacar essa instabilidade”, afirma Carlos Eduardo Dias, da Asap. “Essa omissão é imperdoável.” E facilmente constatada por checadores, ao ligar para empresas ou observar a carteira de trabalho.

7. Endereço

Muitos candidatos mentem em relação ao local de moradia por três motivos: imaginam que morar perto pode facilitar a contratação; acreditam que morar em um bairro mais pobre prejudique suas chances; ou tentam obter uma verba maior de vale-transporte. Nos dois primeiros casos, é uma mentira menos ofensiva, mas também não vale a pena. Quando for descoberta – pela checagem do comprovante de residência ou pela visita de um colega –, ela vai despertar desconfiança do empregador.


Cinco alternativas à mentira

Há maneiras bem mais eficientes de aumentar suas chances de se empregar, diz Max Gehringer.

1. Uma carta de apresentação é mais importante que um currículo. Escreva uma específica para cada empresa, dizendo por que você deseja trabalhar nela. Em sua argumentação, mostre que estudou a estrutura da companhia, seu produto e modelo de negócio. É a melhor maneira de compensar um currículo sem muitos atrativos.

2. Não mande currículos iguais. A hierarquia das informações varia de acordo com cada empresa. Para uma multinacional, inglês é de extrema importância. Em uma empresa de médio porte, vai no fim.

3. Indicações de colegas são mais eficientes que currículos. Melhor que enviar currículo a 50 empresas é entregar um nas mãos de alguém que trabalhe na empresa.

4. Coloque uma foto no currículo, mas não uma 3x4 sisuda. Um leve sorriso causa boa impressão.

5. Liste os trabalhos que já fez, mesmo que não sejam relacionados à área. O “trabalhei como balconista para pagar os estudos” encanta os recrutadores pela dedicação e determinação. (Fonte Época)


Ele não consegue parar de correr

Os médicos dizem que, para ser saudável, é preciso seguir uma dieta equilibrada e fazer exercícios regularmente, sem exageros para não se machucar. Atletas de ponta não são os melhores exemplos de saúde, já que costumeiramente extrapolam seus limites e estouram um joelho aqui, quebram uma clavícula ali. O ultramaratonista americano Dean Karnazes, um dos atletas mais impressionantes da atualidade, não liga para o que dizem os médicos. E tem uma saúde de ferro.

Entre as proezas – ou maluquices – do superatleta está uma sequência de 50 maratonas (42 quilômetros cada uma) que ele correu em 50 dias consecutivos, em 50 cidades dos Estados Unidos. Maratonistas precisam de alguns dias para se recuperar de uma prova antes de voltar aos treinos. Karnazes não apenas desrespeitou o período de descanso. Ele dormiu as 50 noites em poltronas de ônibus nas viagens entre uma cidade e outra. “Não era o ideal, mas não havia outra escolha”, diz. Karnazes foi o primeiro homem a correr uma maratona no Polo Sul, a 40 graus negativos.

No dia 12 de setembro, o corredor vem ao Brasil para o Desafio Dean Karnazes 24 horas, uma corrida de um dia inteiro que ele vai fazer com atletas brasileiros e convidados por ruas e parques de quase meia cidade de São Paulo. O percurso, de 130 quilômetros, quase não é um desafio perto das provas que ele já venceu. Por exemplo, a Ultramaratona de Badwater, de 217 quilômetros, a uma temperatura de 50 graus. Ou os 563 quilômetros que ele correu durante três dias e três noites, sem descanso. O senso comum diria que Karnazes é um ser humano anormal. Ele diz que apenas faz o que mais gosta de fazer: correr até o corpo dizer “chega”.

Karnazes completou 46 anos no dia 23 de agosto. Seus joelhos, segundo ele próprio, continuam tão intactos quanto os de um adolescente. Ele tem apenas 3% de gordura corporal (atletas de elite costumam ter entre 6% e 8%), e os exames mostram um nível de colesterol abaixo de 100 (menos de 200 já é considerado ótimo). Para ele, continuar inteiro depois de tanto sacrifício só aumenta a vontade de duvidar que já tenha ido longe demais.

A rotina de Karnazes, por si só, choca. Ele dorme cerca de quatro horas por noite, s para suas atividades caberem no dia. Acorda de madrugada, entre 3h30 e 4 horas, e corre uma maratona por ruas e estradas que partem de São Francisco, na Califórnia, onde mora. Volta para casa pouco depois do nascer do sol e prepara o café da manhã para a mulher e os dois filhos, os “Karno kids”. Para ele, uma tigela bem grande de iogurte integral com granola resolve. No fim da tarde, Karnazes faz mais uma corridinha de 10 quilômetros e termina o dia planejando a pernada do dia seguinte.

Haja energia para tanta corrida. Uma pessoa normal deve comer entre 2.000 e 2.500 calorias por dia para suprir suas necessidades diárias e não engordar. O nadador olímpico Michael Phelps precisa de 12.000 calorias para sustentar sua rotina de treinos. Karnazes come apenas alimentos orgânicos e integrais no dia a dia. Mas, durante suas corridas de longuíssima duração, ataca pizzas, cheesecakes, confeitos de chocolate e qualquer outro tipo de alimento hipercalórico para abastecer a fornalha em que seu organismo se transforma. Numa prova de 46 horas, ele ingeriu 28.000 calorias. É o que uma pessoa normal consome em duas semanas de refeições balanceadas.

Karnazes se diz introvertido. Nada que o impeça de partilhar suas experiências em palestras e livros. Seu segundo livro, 50 maratonas em 50 dias (Editora Leblon), está saindo agora em português. Ele diz que prefere os momentos em que fica sozinho: quando escreve e (claro) quando corre. “Adoro escrever, pelo mesmo motivo pelo qual gosto de correr. Ambos requerem foco, comprometimento, dedicação e sacrifício.” (Fonte Revista Época)


Ainda bem que eu não trabalho mais lá

A Pfizer, maior fabricante de medicamentos do mundo, vai pagar uma multa recorde de US$ 2,3 bilhões (R$ 4,3 bi), informou nesta quarta-feira (2) o Departamento de Justiça dos Estados Unidos. A empresa foi condenada em uma ação civil e penal por promover a prescrição ilegal de remédios.

Segundo informações do governo americano, a empresa indicava quatro drogas para tratamento de condições médicas em que o uso dessas substâncias não havia sido aprovado pelo Food and Drug Administration (FDA), órgão regulador dos medicamentos dos EUA. O uso de remédios para outros sintomas além daqueles especificados não é raro, mas empresas são proibidas de fazer propaganda de qualquer prática não aprovada pelo FDA.

O valor inclui uma multa penal de US$ 1,2 bilhões (R$ 2,3), a maior multa penal da história do país. "Combater a fraude na saúde é uma das principais prioridades dessa administração", afirmou Thomas Perelli, do Departamento de Justiça. O valor total da multa é a maior quantia já paga por uma empresa farmacêutica por violar leis federais nos EUA.


Cães foram domesticados na China há 16 mil anos


Estudo publicado esta semana no periódico científico Molecular Biology and Evolution afirma ter descoberto o local e o tempo exatos em que os cachorros foram incorporados à sociedade humana. Sabia-se, antes, que a domesticação dos cães ocorrera no leste da Ásia, mas nunca um lugar preciso havia sido apontado.

Segundo os pesquisadores, os cachorros apareceram há menos de 16 mil anos, ao sul do rio Yangtze, na China. Os resultados da pesquisa também afirmam que, embora tenham uma origem geográfica única, os cães descendem de um "grande número de animais - pelo menos algumas centenas de lobos domesticados".

Liderados pelos cientistas Peter Savolainen, do Instituto Real de Tecnologia (KTH), na Suécia, e Ya-Ping Zhang, da Academia de Chinesa de Ciências, os pesquisadores também afirmam que essas descobertas estão em conformidade com o tempo em que os grupos humanos deixaram de ser caçadores e se tornaram coletores e agricultores, entre 10 e 12 mil anos atrás.

O estudo também sugere que a quantidade de lobos que deram origem aos cães modernos mostra que a domesticação desses animais era uma parte importante da cultura humana na época, e não apenas um fato isolado - mas não eram ainda os melhores amigos do homem. "Os primeiros cachorros, ao contrário dos seus descendentes, depois na Europa, que foram usados como pastores e cães de guarda, provavelmente terminaram suas vidas nos estômagos dos seres humanos", afirmam.


Cão Monstro

OBS: Essa notícia é interessante, mas esqueceram de dizer que alguns cachorros não foram totalmente domesticados. É o caso, por exemplo, do "cão monstro" que habita minha casa. Também conhecido como Nick, a criatura ataca e morde qualquer um que chega perto. E nem precisa ser gente estranha. O único ser vivo que escapa da fúria assassina do monstrinho é o seu papis, o Douglas - latino para os íntimos.


A fera tirando um cochilo. Vai mexer com ele nessa hora...

Você é um Dependente Afetivo?


Ainda falando sobre dependência afetiva, encontrei um texto bem interessante, da psicóloga Sirley Bittú. Segundo ela, há pessoas que se arrepiam só com a possibilidade de ficar dependente de alguém ou alguma coisa, passam a vida lutando contra isso, e algumas vezes tornam-se onipotentes, distantes e sós. E há pessoas que tremem apenas com a ideia de dependerem principalmente de si mesmo; confundem individualidade com solidão, abandono e rejeição. São as duas faces da mesma moeda, os primeiros temem se envolver e perder a individualidade e o outro extremo teme tê-la. Na verdade, ambos acreditam que a autonomia e a capacidade de cuidar de si, tomar as próprias decisões, fazer escolhas, está fora de seu controle, ou melhor, fora de si.

A DEPENDÊNCIA AFETIVA é um estado de imaturidade que faz parte do processo natural de desenvolvimento humano, ou seja, nascemos totalmente dependentes, tanto física como afetivamente. Com nossas vivências e experiências vamos evoluindo de forma gradativa buscando nossa independência emocional.

Algumas vezes temos clareza de nossas dificuldades, então nos restam, pelo menos, duas saídas: enfrentá-las e superá-las ou, como costumo dizer, dar a volta no quarteirão. Mas nem sempre a dependência afetiva é consciente.

Uma pessoa é dependente afetivamente quando sua autonomia está prejudicada, ela precisa de algo ou alguém para sentir-se segura e tranquila, nas mais diferentes decisões em sua vida, desde as mais simples como decidir que roupa vai usar, por exemplo, ou até as mais difíceis, como que profissão escolher... se muda de emprego ou não... se continua namorando ou não, se casa ou não... enfim, inúmeras situações onde está implícita uma escolha.

Você que está lendo, deve estar se perguntando: ...mas todos nós não gostamos de uma opiniãozinha às vezes? Sim, é verdade, pedir a opinião de alguém sobre algo não o torna dependente afetivo. A diferença está quando você depende realmente dessa opinião e não consegue seguir o seu desejo se ele não for aprovado, se não houver o aval de alguém.

O objeto de dependência entra na vida da pessoa como uma muleta, ocupa um espaço vazio. A dependência pode ser de uma pessoa específica, uma droga, uma atitude de carinho, uma palavra amiga, ou mesmo de alguém que lhe possa ouvir ou dizer o que se deve fazer.

Na verdade, essas pessoas ou objetos têm uma única função para o dependente afetivo: dar a sensação de segurança que ele precisa para suportar problemas, tensões e dificuldades pessoais e/ou sociais. A questão é que a segurança não está nas relações que fazemos, não é algo que vem de fora, mas sim algo que existe ou não dentro de nós. Nossa segurança e autoestima são os reguladores de nossa maturidade emocional.

Jacob Levy Moreno, quando criou o Psicodrama, partia do princípio que o ser humano é um ser social, influencia e é influenciado todo o tempo. No Psicodrama dizemos que toda a saúde e doença emocional nasce nas relações, ou seja, são aprendidas durante o desenvolvimento através dos modelos que recebemos, primeiramente por nossa família de origem e secundariamente através das demais relações que vivenciamos durante a vida.

Nos primeiros anos de vida necessitamos da confirmação de nossas atitudes, da certeza de que nosso comportamento está sendo aceito pelas pessoas que amamos. Com o nosso desenvolvimento emocional, passamos a desejar e não mais necessitar dessa aprovação. Aprendemos a nos relacionar com o mundo pelas regras que recebemos em nossa família. A criança é espontânea e criativa por natureza, ninguém nasce culpado em ser espontâneo. A dependência afetiva muitas vezes nasce e é sustentada por problemas no relacionamento familiar, pelos conflitos pessoais, pela sensação de rejeição e de não ser aceito.

Certa vez recebi em meu consultório uma jovem de 22 anos, vou chama-la aqui de Joana. Joana veio para a psicoterapia porque tinha muitas dificuldades afetivas, era brilhante aluna, fazia faculdade e tinha ótimas notas, mas tinha dificuldade de arrumar namorado, era introvertida, sentia-se feia e sem graça. Joana tinha uma grande amiga de quem falava muito. Estava sempre contando como sua amiga se saía bem com os rapazes e tinha várias paqueras, mas em compensação tinha péssimas notas, dependia de suas colas para passar de semestre. Durante o processo terapêutico, Joana percebeu que cada uma desempenhava um papel na relação, ou seja, uma cuidava dos estudos e a outra arrumava amigos e namorados, funcionavam como se fossem uma única pessoa.

Apesar de nunca ter percebido até então esse trato, era difícil vencé-lo, mesmo porque Joana não acreditava que pudesse ser alguém interessante, ou mesmo algum dia se sentir bonita. Nesse exemplo, Joana tinha dois caminhos possíveis: o primeiro era continuar nessa relação de dependência, onde uma supostamente supria a necessidade da outra, ou escolher o segundo caminho, o mais trabalhoso e também o mais saudável: perceber e enfrentar seus limites e suas próprias dificuldades, para poder superá-los.

Na verdade, ninguém é dependente sozinho. DEPENDÊNCIA AFETIVA é uma via de mão dupla, se uma criança é dependente afetivamente, a mãe com certeza também o é, pois, neste caso, a mãe é quem a estimula e acredita em seu potencial ajudando-a a ter a certeza que conseguirá superar suas dificuldades. Dessa relação nascem a autoestima e a sensação de segurança pessoal. Todo o ser humano nasce com uma capacidade de cuidar de si, um potencial que precisa ser estimulado e se não recebe este estímulo torna-se dependente. Na prática, acabam por não confiarem em si mesmos e em seu valor pessoal, deixam de oferecer o seu melhor na vida, no trabalho e em seus relacionamentos.

Para pais e/ou educadores: exercitem o respeito às características genuínas de cada criança, respeitando sua natureza espontânea e sua criatividade. É importante aprender que dar limite é prova de amor e é diferente de reprovação. Dar parâmetros é dar condição para a criança desenvolver responsabilidade e aprender a superar as frustrações.

Não podemos perder de vista o humano que existe em nós, somos criatura e criadores capazes e, genuinamente, imperfeitos.


Sobre a autora

Sirley Bittú é Psicóloga Especialista Clínica pelo Conselho Federal de Psicologia
Psicodramatista Didata Supervisora
Terapeuta em EMDR pelo EMDR Institute/EUA
Consultório (11) 5083-9533
Email: sirley.regina@terra.com.br

Dependência afetiva - O amor como droga

O amor pode se transformar em doença. O fatalismo da frase pode parecer bobagem para você que vive uma relação saudável.

Mas para muita gente, o sentimento bom vira fonte de sofrimento, prejudica a autoestima e pode levar do céu ao inferno rapidinho. Isso acontece quando o amor vira co-dependência.

Quem vive dessa maneira não encontra segurança e proteção - a não ser ao lado do amado -, vê a relação se transformar em problema e o companheirismo e a intimidade desaparecerem. Aí, a imaturidade emocional dá as caras e o amor ganha status de droga. Pesada.

"Tudo aquilo que proporciona sensação de bem-estar e prazer pode viciar. Assim acontece com a droga. E pode acontecer com o amor, principalmente quando este se apresenta em excesso. A base da co-dependência é o apego, popularmente conhecido como amor excessivo", explica o terapeuta de casais e famílias Paulo G. P. Tessarioli.

Segundo ele, uma das formas mais simples de identificar esse sentimento doente é perceber o que ele proporciona. Se perguntar, por exemplo, se existe confusão, sofrimento ou medo pode ajudar. "As características básicas da dependência afetiva são imaturidade emocional, baixa tolerância ao sofrimento, à frustração e a ilusão de permanência", relata. Esses dependentes manipulam, controlam, se vitimizam, chantageiam, são prestativos e depois cobram caro por isto. "Sufocam e limitam o raio social do parceiro, vivem a vida do outro".

Paulo explica que o efeito mais nocivo dessa co-dependência é a ‘despessoalização’, ou seja, a perda da própria identidade. "Outros efeitos são de ordem emocional e perturbam o funcionamento do corpo, por exemplo, com crises de ansiedade (síndrome do pânico), altos e baixos do humor (depressão e euforia), e autoestima prejudicada".

A mulher é considerada mais sensível à co-dependência do que o homem, mas a razão é cultural e histórica. "A ideologia do amor romântico as sensibilizou de uma forma muito mais intensa. Embora existam homens co-dependentes, boa parte das mulheres ainda vive como coadjuvantes de seus companheiros", afirma.

A dependência afetiva, assim como a química, não tem cura. Mas o tratamento é sempre bem vindo e consiste em desenvolver o amor próprio, o autocontrole e a abstinência de relacionamentos doentios. Mas diferentemente da dependência química, em que é óbvia a orientação de parar e se afastar da droga, na dependência de afeto não dá para deixar de se relacionar com pessoas e se afastar delas. "Por esta razão, a base do tratamento consiste em psicoterapia, biblioterapia e grupo de auto-ajuda. Nos casos mais difíceis, em que há co-morbidades é recomendado o acompanhamento psiquiátrico", sugere Paulo.

No meio de tudo isso, é bom lembrar que o ser humano nasceu sozinho, mas não para viver na solidão. E nem toda necessidade de companhia é co-dependência. "É sempre muito bom estar entre pessoas que nos fazem e querem bem. Isto não é co-dependência. Mas apegar-se a alguém para evitar a solidão ou a dor da perda é se distanciar de si mesmo e, muitas vezes, perder-se e se isolar de tudo e todos". Não caia nessa.