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quarta-feira, 4 de julho de 2012

Comer doce no café da manhã ajuda a emagrecer, diz pesquisa


Uma nova pesquisa, realizada na Universidade de Tel Aviv, comprovou que quem come doce no café da manhã tem mais facilidade de perder e manter o peso


Atenção, formigas de plantão: doce no café da manhã emagrece!Segundo uma pesquisa realizada na Universidade de Tel Aviv, um café da manhã composto por carboidratos, proteínas e um docinho ajuda perder peso e não recuperá-lo novamente.

No estudo, que durou 4 meses, os voluntários perderam cerca de 15 kg. Aqueles que não ingeriram doce no café da manhã recuperaram cerca de 11 kg, enquanto aqueles que adotaram alguma guloseima (bolo ou biscoito, por exemplo) continuaram emagrecendo e não engordaram novamente.

Na conclusão dos especialistas, o doce inserido no café da manhã ajuda a conter a compulsão por alimentos calóricos ao longo do dia. A tática tem efeito parecido com a dieta das proteínas, que também sacia a fome e diminui a compulsão.

Homem só paga a conta para mulher bonita, diz pesquisa

Quanto mais bonita ele te achar, mais estará disposto a gastar no encontro, sabia? Foto: Danilo Borges

O assunto é pauta em vários manuais de conquista, mas ainda há dúvidas: quem deve pagar a conta (principalmente no primeiro encontro)? Pesquisadores da Universidade de St. Andrews, na Escócia, descobriram que há um ponto determinante nessa hora: a aparência. Vai vendo! De acordo com o estudo, quanto mais bonita o homem te achar, mais ele estará disposto a gastar com o encontro. E essa conclusão foi tirada de uma pesquisa onde as pessoas estavam sem maquiagem, com roupas comuns e não estavam pensando nem no preço do cardápio nem no emprego que tinham.

Mas não pense que isso funciona só com o sexo oposto. O estudo mostrou que da nossa parte, quanto mais atraente a gente achar que o homem é, mais esperamos que ele pague a conta. E, se ele se considera o gatão do pedaço, pode ser que ache que a obrigação de pagar a conta seja sua. Já conheceu homem que se acha a última bolacha do pacote em dia de TPM? Pois é! Esse é o preço por saímos com caras supervalorizados. Talvez por isso, aqueles que achamos mais "feinhos" sejam mais educados ou simpáticos.

Por via das dúvidas, mostre que você é uma mulher moderna e ofereça-se, ao menos, para dividir a conta. Agora, se ele insistir um pouquinho, que mal há em deixar que ele pague pelos seus bons drinks, hein?

Fonte: Site Corpo a Corpo

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Pessoas desconfiadas são as mais fáceis de serem enganadas

Confiar nos outros não faz de você alguém fácil de ser tapeado, como acontecia com a personagem do clássico da literatura infanto-juvenil Pollyana. Muito pelo contrário, diz um estudo publicado no periódico Social Psychological and Personality Science. A confiança é mais propensa em pessoas mais espertas.

O estudo foi feito com estudantes de pós-graduação voluntários que eram convidados a assistir a vídeos de supostas entrevistas de empregos feitas por dois tipos de pessoas: algumas que respondiam da melhor forma possível as perguntas e outro grupo composto por pessoas instruídas a dizer ao menos três mentiras significantes em resposta a algumas questões-chave que poderiam ser decisivas para a suposta contratação. Esses dois grupos de participantes das entrevistas receberam pequenas quantias em dinheiro e aqueles que aceitaram dizer mentiras receberiam uma quantia adicional se as respostas mentirosas passassem despercebidas pelos voluntários.

A análise dos vídeos ocorreu alguns dias após a primeira parte do estudo, e os voluntários eram instruídos a medir o nível de honestidade dos entrevistados gravados em vídeo. Além disso, os próprios voluntários foram entrevistados para saber o quanto eles confiavam em outras pessoas.

Os voluntários com maiores índices de confiança em outros indivíduos também se mostraram mais eficientes em detectar os participantes mentirosos, ou seja, quanto mais mostravam confiar nas outras pessoas, maior o potencial de identificar a diferença entre uma verdade e uma mentira dita por uma mesma pessoa. Ao contrário do estereótipo, aqueles mais desconfiados também eram os que mais cometiam erros e indicavam a “contratação” dos mentirosos (aqueles que haviam mentido em questões cruciais como formação ou experiência para a função).

“Ao contrário da ideia geral de que pessoas desconfiadas são melhores em detectar mentiras e aquelas mais abertas às pessoas desconhecidas são as que são alvos fáceis para os salafrários, o que vimos aqui foi exatamente o inverso. As pessoas confiam mais quando, de alguma maneira, sabem que podem detectar uma mentira no meio de uma conversa e identificam as intenções de terceiros”, diz Nancy Carter, pesquisadora da Universidade de Toronto, no Canadá.

“Aqueles que confiam nos outros não são bobos, mas sua acuidade interpessoal os faz melhor em identificar e separar bons amigos de ameaças em potencial”, finaliza.


Fonte : UOL - com informações da Social Psychological and Personality Science

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Mulher bonita deixa o homem meio bobo


Se você tinha alguma dúvida, agora pode ter certeza. O homem literalmente perde a cabeça na frente de uma mulher bonita. Ou, em outras palavras, fica sem a mínima capacidade de raciocínio. Isso acaba de ser comprovado cientificamente, por um estudo conduzido pela Universidade de Radboud, da Holanda, publicado pelo Journal of Experimental Social Psychology.

O estudo foi feito com 40 estudantes do sexo masculino, que tinham de responder um teste de memória antes e depois de ter conversado sete minutos com uma pessoa do mesmo sexo e outra do sexo feminino.

Não deu outra, quanto mais o pesquisado ficava impressionado com a mulher, menos sua capacidade de raciocínio funcionava. As respostas eram dadas de forma lenta e menos acurada. Os especialistas que conduziram o estudo afirmaram que o homem é programado para transmitir seu genes. E numa situação como esta, entra em ação o que eles chamam de "reprodução concentrada". Trocando em miúdos: "só pensam naquilo".


domingo, 23 de agosto de 2009

Escritora defende produtos mais caros e critica cultura da barganha

Em tempos de crise, um livro vem jogar um balde de água fria sobre qualquer ímpeto consumista. A jornalista americana Ellen Ruppel Shell critica empresas como Wal Mart e Ikea (rede de lojas de móveis) entre outras em seu livro Cheap: The High Cost of Discount Culture (Barato: O Alto Custo da Cultura do Desconto), recém-lançado nos Estados Unidos.

O título é autoexplicativo: ela defende que a sede por barganhas transformou a economia no último século, e para o pior. Ela explora as raízes dessa cultura com o começo dos grandes magazines no século 19 que passaram a oferecer produtos a preços mais baixos do que praticados pelas lojas menores. Segundo a autora, a queda nos preços veio acompanhada por uma queda na qualidade dos produtos.

E Ellen justifica a afirmação com um exemplo pessoal: em vez de comprar um par de botas caras de marca italiana, optou por um par de fabricação chinesa, bem mais barato, cerca de um quarto do valor. O produto mostrou-se desconfortável e foi parar numa pilha de outros acessórios não usados, todos grandes achados.

A autora mostra a brusca mudança de comportamento no último século quando, desde antes o século 19, os produtos eram consertados, refeitos e usados por mais de uma pessoa, e passados de pai para filho ou entre irmãos, até os anos 1960, quando os outlets de descontos tornaram-se famosos no país. O mesmo aconteceu com os móveis, que antes herdados, agora são consumidos como outros objetos, como acessórios e roupas.

"O foco mudou do objeto pela oferta. Se a oferta for boa, o item em consideração torna-se menos importante na transação.", diz.

Ela cita o exemplo da Ikea, que criou uma série de conceitos para oferecer móveis a preços baixos, entre eles a entrega das peças desmontadas, o que na opinião de Shell, é uma transferência de custo ao cliente, outra característica da cultura da barganha.

A autora discorda que a cultura do desconto beneficie os mais pobres, pois afirma que os valores dos itens de necessidade básica não são tão atraentes e que em grandes redes de varejo, preços baixos estão associados a pagamentos de baixos salários aos empregados.

(Fonte Terra)


Dores e delícias de se relacionar


Há um ditado que diz que existem três tipos de homens que não entendem as mulheres: os mais novos, os de meia-idade e os mais velhos. Em parte, é verdade. Isso porque não existe fórmula para relacionamentos darem certo. Nem quanto à idade ideal dos parceiros.

Nesse quesito, barreiras foram quebradas e não há mais imposição sobre se é melhor estar com homens mais novos, da mesma idade ou mais velhos. "Há diversos mitos que cercam os relacionamentos, como a necessidade do casal ter idade mais próxima, casar cedo, ser culturalmente parecido, e muitos casamentos são fundamentados nisso. Depende de como casal lida com isso, pois não servem mais para a nossa sociedade", diz a psicoterapeuta e pesquisadora Margarete Volpe, que identifica queixas mais comuns das mulheres sobre os homens de diferentes faixas etárias.

Sem generalizar, o que muda é que homens em diferentes fases trazem diferentes problemas, mas também diferentes vantagens. Confira os principais desafios de cada etapa, pois o amor não tem idade, mas os problemas têm.


Homens mais novos

Há décadas era improvável encontrar uma mulher assumindo relacionamento com homem mais jovem. Essa imagem esteve associada à ideia de passatempo sexual, que o cinema ajudou a difundir com filmes como Gigolô Americano e A Primeira Noite de um Homem, em que Mrs. Robinson (Anne Bancroft) seduz o jovem vivido pelo ator Dustin Hoffman. Hoje as mulheres que assumem relacionamentos com homens mais novos encontram cenário mais favorável, mas ainda enfrentam preconceito. "Não me nego ao amor e estou cheia dessa história de que mulher de 60 anos tem de namorar homem de 70. Sou uma estrela. Não estou nem aí para preconceitos", disse a atriz Susana Vieira, 66, sobre seu namoro com o mágico Sandro Pedroso, 25, diferença de 41 anos.

Lá fora também é igual. Apesar de um casamento de quatro anos, a imprensa vive se referindo ao ator Ashton Kutcher como toyboy husband (marido de brinquedo) da atriz Demi Moore, 15 anos mais velha. Ela prova que o relacionamento é sério ao declarar que pretende colocar o sobrenome do marido ao seu. Segundo a psicoterapeuta Margarete Volpe, existem duas principais vantagens no relacionamento com homens mais novos. "Uma é a ideia de renovação, viver a jovialidade através do outro."

A outra vantagem é curtir mesmo o descompromisso, se o homem não quiser senão uma aventura. "Geralmente acontece com mulheres que saíram de casamentos ou outros relacionamentos estáveis e precisam reconstruir sua identidade. Ela precisa fazer isso sozinha e por isso entra em relacionamentos sem futuro para garantir que permanecerá assim." Mas as mulheres apontam outras vantagens. A apresentadora Maria Paula, 38, é casada com João Suplicy, 35, e já manteve relacionamentos com Rodrigo Hilbert, oito anos mais novo, e Ari Moraes, sete anos mais novo. "Em geral, eles têm mais", diz. Entre os outros casos celebres, destacam-se o casamento de Ana Maria Braga, 59 e Marcelo Frissoni, 38; e Elza Soares, 71, 52 anos mais velha do que o namorado Bruno Luccidi, de 26.


Homens da mesma idade ou aproximada

Projetos em comum e mesmos desafios são as vantagens dessa relação. Basta analisar casais como Alexandre Pato, 19 e Stephany Britto, 22, recém-casados e que estão começando a consolidar suas carreiras e outros como Angélica, 35, e Huck, 37; e Susana Werner, 32, e o goleiro Julio Cesar, 34, em meio à criação dos filhos e administração da carreira. Nesse cenário, o mais comum é aparecer divergências devido à diferença de maturidade. "Pela formação e postura da mulher de assumir muitos papéis, o processo de desenvolvimento é mais rápido, absorve as diferenças da vida mais rapidamente. Homem tem visão focada em objetivos e pequena possibilidade de ampliação", explica a terapeuta.

"Às vezes o cara não é tão maduro quanto você e se os dois estão numa fase depressiva é um saco", diz Wania Merigo, 38 anos, que concorda com a psicóloga e fala de cátedra, pois já namorou homens de faixas etárias bem diferentes da sua. "Um cara da mesma idade entende mais o que você está passando, curte mais os momentos juntos e com os amigos, sabe a hora que é para ficar só com você ou com a família e com os amigos. É o tipo de relação na qual a amizade é mais forte, além do amor e sexo."

Para Wania, relacionamentos com homens mais novos são sempre mais curtos, pois enjoa rápido, e com homens mais velhos, a desvantagem é que todos os defeitos estão mais acentuados. "Com os mais jovens, tudo o que você fala é lei, e geralmente são os mais carinhosos e sempre estão prontos para o sexo. Mas é preciso paciência, pois a vida não é só balada e misto-quente."


Homens mais velhos

"O homens mais velhos pagam a conta, tratam você como uma princesa, dançam anos 1970, John Travolta é o eterno ídolo deles nas pistas de dança. Mas têm todos os defeitos bem mais acentuados... e continuam dançando anos 1970."

Apesar de caricata, essa descrição do relacionamento pelo qual passou Wania Merigo, com um homem 20 anos mais velho, identifica dois dos conflitos mais comuns nas relações desse tipo. "O principal desafio está em conciliar projetos de vida. Uma mulher de 30 anos que esteja no auge da carreira e um cara de 40 que considera que já fez suas principais conquistas têm uma proposta de vida totalmente diferente e podem levar suas vidas para lados opostos", diz Margarete. Enquanto ela faz planos, quer viajar, ele pode querer ficar em casa vendo filmes, lendo e tomando vinho.

A outra queixa diz respeito à falta de flexibilidade nas opiniões, o que a psicoterapeuta também reconhece como comportamento padrão. "Isso acontece porque enquanto se está no processo de construir uma vida, se pensa em melhorar. Mas quando uma pessoa se dá conta que já abraçou tudo ou boa parte dos projetos, não tem motivo para lutar pelas coisas e não tem predisposição à mudança."

E assim como a mulher, o homem também pode buscar jovialidade num relacionamento com uma mulher mais nova. Entre os famosos, são muitos os casais que não se importam com a grande diferença de idade, entre eles Mariana Ximenes, 28, e Pedro Buarque de Hollanda, 43; e Tom Cruise, 47, com Katie Holmes, 31. Independentemente da idade, a terapeuta lembra que casamento exige cumplicidade, aprender a ceder para criar um caminho único. "E que é preciso que a paixão, que dura no máximo dois anos, passe para o mundo real transformando-se em afeto, parceria e cumplicidade", ensina.

(Fonte Terra)


quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Machismo é prejudicial à saúde

Manter a pose e cultivar os estereótipos do “machão” é um dos motivos que fazem com que os homens morram mais cedo do que as mulheres.

Os antigos ideais de masculinidade fazem com que grande parte dos homens não procure o médico nem adote programas de prevenção, que são fundamentais para o controle e a diminuição de doenças crônicas, como as cardiovasculares, a maior causa de morte nos países desenvolvidos e em desenvolvimento, e o câncer.

Novas descobertas, baseadas em dados estatísticos, apontam para essa relação entre o estereótipo machista, a falta de cuidados preventivos com a saúde e a menor expectativa de vida da população masculina. Nos Estados Unidos, por exemplo, mulheres vivem, em média, até os 80 anos, enquanto os homens têm, em média, uma previsão de viver até os 75 anos.

Um novo estudo, realizado na Universidade Rutgers, em Nova Jersey, examinou dados de 1.000 homens de meia-idade. Os pesquisadores avaliaram os ideais de masculinidade desses homens, suas condições sócio-econômicas e a aderência dos participantes aos programas básicos de saúde preventiva, como consulta médica anual e exame de próstata.

Para identificar o “nível de machismo” dos participantes, os pesquisadores usaram uma lista de afirmações do tipo “O marido tem sempre a palavra final” ou “Fico muito incomodado quando vejo um homem fazendo algo que considero feminino”. Os participantes tiveram que avaliar cada afirmação em uma escala que ia do “concordo plenamente” ao “discordo totalmente”.

Entre os homens que concordavam plenamente com as afirmações que representavam o “ideal do macho”, 26% não haviam feito consulta e check-up médico no ano anterior. Quase 30% deles não tinham feito exame de próstata e quase 50% não havia realizado todos os procedimentos básicos (consultas, exames, check-up, vacinação).

“Nossa pesquisa sugere que crenças arraigadas sobre a masculinidade são a causa central para a pior condição de saúde dos homens, na medida em que elas reduzem a sua aderência aos cuidados preventivos recomendados”, diz Kristen Springer, um dos autores do estudo.

A pesquisa também mostrou que, entre os homens com crenças de masculinidade muito arraigadas, a melhor condição sócio-econômica só piora o quadro em relação aos cuidados com a saúde. Segundo os pesquisadores, quanto maior a posição social e profissional do homem com ideais machistas, menores as chances de ele procurar serviços preventivos de saúde.

As razões para o machão não adotar cuidados preventivos com a saúde são muitas. Entre as hipóteses levantadas pelos pesquisadores, está o fato de o homem não querer se colocar em uma posição de subordinação como, acreditam, é a do paciente em relação ao médico.

(Fonte Terra)


segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Feliz da vida


Enquanto eu fazia as unhas e arrumava as madeixas no salão, neste fim de semana, li uma reportagem bem interessante sobre "ser feliz". Pesquisa realizada em 178 países aponta, novamente, que as pessoas mais felizes estão na Dinamarca.


A questão é a seguinte: como um país onde anoitece todos os dias por volta das 17hoo, durante metade do ano, com temperaturas baixas quase o ano todo, e onde a carga trbutária paga ao governo varia entre 60% a 80%, pode ter o povo mais feliz???

O segredo pode estar nas linhas abaixo.

Segredos da felicidade

Novos estudos comprovam: a satisfação com a vida depende muito mais do bom relacionamento com a família e os amigos, trabalho prazeroso e saúde em dia do que das alegrias geradas pelos bens materiais

A Dinamarca é um país com 43 mil quilômetros quadrados – área similar à do Estado do Rio de Janeiro – onde 5,4 milhões de pessoas compartilham um Produto Interno Bruto de US$ 187 bilhões. No Brasil, uma população 35 vezes superior colhe as migalhas de um PIB três vezes maior. Dona de um sistema educacional irrepreensível e de um eficiente modelo de saúde, a Dinamarca lidera o ranking mundial da felicidade criado pelo psicólogo Adrian White, da Universidade de Leicester, na Grã-Bretanha. O Brasil é o 81º. Para estabelecer essa lista, ele avaliou 100 estudos de 178 nações. “A saúde foi apontada como o fator mais importante para a felicidade, seguida por prosperidade e acesso à educação”, diz.

Atrelar a felicidade ao desenvolvimento do país ou à renda per capita, porém, é uma prática que não dá conta da complexidade do tema. É a conclusão de muitos especialistas, como o economista alemão Johannes Hirata. Ele comparou a renda e o índice de bem-estar de diversas populações para a tese Felicidade como um objetivo político, apresentada recentemente na Universidade de St. Gallen (Suíça), e afirma que a economia pouco interfere na felicidade. No Japão, apesar de a renda média ter passado de US$ 880 para US$ 25 mil anuais em 50 anos, o grau de satisfação com a vida permaneceu estável.

Mas o que, afinal, gera a felicidade? Essa pergunta tem chamado a atenção de especialistas de um movimento da psicologia que tem se fortalecido na última década. É a psicologia positiva. Análises sobre o conceito de bem-estar subjetivo – ou pessoal – se tornaram o objeto principal de estudos desse grupo. Entre seus representantes está Martin Seligman, que defende que os psicólogos não devem apenas se preocupar com as doenças, e sim tornar ainda melhor a vida de gente saudável. Desde o lançamento de Felicidade autêntica, suas idéias se espalham pelo mundo.

No Brasil, a psicologia positiva conquista adeptos. Um dos primeiros trabalhos acadêmicos do gênero é a tese de doutorado de Lilian Graziano, da Universidade de São Paulo. Em A felicidade revisitada, ela constata a relação entre o estado de satisfação e a capacidade de se sentir no controle da vida. Segundo Lilian, há dois tipos de pessoas: aquelas para as quais as coisas só mudam por influências externas e as que se sentem responsáveis pelas mudanças. Na escola, o primeiro grupo seria formado por alunos que agradecem à professora pela nota e o segundo pelos que se sentem responsáveis por ela. “O primeiro perfil é menos feliz do que o segundo. Costuma adiar a felicidade para quando o trânsito ou o chefe melhorarem”, diz.

Receitas para a felicidade há muitas. Mesmo porque até hoje não há consenso quanto ao que traz mais alegria. Pesquisas feitas em diversos países oferecem elementos que podem nortear essa busca. Confira a seguir alguns caminhos.


Invista nas relações

Professor da Universidade da Virgínia (EUA), Jonathan Haidt escreveu em seu livro The happiness hypothesis que a família e os amigos são mais relevantes do que o dinheiro e a beleza. “Uma condição que nos torna felizes é a capacidade de nos relacionarmos e estabelecermos laços com os demais”, afirma. Todo ser humano necessita do outro para compartilhar sensações, experiências e objetivos. Sentir-se responsável por uma pessoa pode ser a chave da realização. Isso vale para o casamento e para as amizades. Um estudo do Centro de Pesquisa em Opinião Pública da Universidade de Chicago mostrou que pessoas com pelo menos cinco amigos próximos se dizem 50% mais felizes do que as que têm um círculo social menor.


Tenha um projeto

Postergar a felicidade é um erro grave, segundo o psicólogo Ari Rehfeld, da PUC de São Paulo. Quem faz isso nunca será feliz porque o mundo jamais será o país das maravilhas. Rehfeld considera fundamental conciliar projeto de vida e satisfação com o presente. “Projeto é algo que exige tempo. Não deve ser confundido com desejo, que é efêmero”, compara. Para a filósofa Dulce Critelli, confundir felicidade com desejo é um escorregão herdado do estoicismo e do epicurismo, as primeiras escolas filosóficas a pensar a moral de forma individual. Desde então, muitas pessoas acreditam que a felicidade está na satisfação do prazer. “Por isso, a roupa de grife, a cirurgia plástica e o carro do ano são tão valorizados. Antes, admirávamos pessoas honradas e generosas.”


Cuide de saúde

Estar de bem com o corpo e a mente é outro elemento comum às pessoas felizes. É difícil estabelecer uma relação de causa e efeito. Não se sabe se a boa saúde ajuda as pessoas a se sentirem plenas ou se é a felicidade que traz saúde às pessoas. “Os mais felizes tendem a se cuidar mais, a comer melhor e a se exercitar”, diz o estatístico Jorge Orishi, que criou na Universidade Federal de São Carlos o primeiro mapa da felicidade em São Paulo. Com seis mil entrevistas, ele descobriu que os paulistas não se queixam da vida como parece: 59% se dizem felizes e 25% muito felizes.


Trabalhe com prazer

De acordo com o psicólogo Wanderley Codo, da Universidade de Brasília, o trabalho toma a maior parte do dia e influencia nos relacionamentos. “Não existe limite entre vida profissional e vida pessoal. Ninguém briga com o chefe e chega sorrindo em casa nem discute com a esposa e vai feliz ao escritório”, afirma. Para ele, ter uma atividade profissional que dê sentido à vida ajuda na busca pela realização. Se a atividade principal não cumprir essa lacuna, melhor tentar um trabalho voluntário ou manter alguma produção paralela.


Não perca a fé

Dar um sentido para a vida é importante, mesmo que seja em um plano superior. Pessoas que têm alguma religião não apenas vivem por mais tempo como se sentem mais felizes do que os agnósticos e ateus. O motivo pode estar no fato de pertencer a um grupo, na serenidade experimentada nos momentos de oração e também na crença de que os obstáculos vividos são etapas no caminho para a realização. “A religião dá a esperança de que tudo vai melhorar, mesmo que seja após a morte. Ela conforta”, explica o cientista da religião Frank Usarski, da PUC de São Paulo.


Não exija tanto

Autor do best-seller Sucesso é ser feliz, o psiquiatra Roberto Shinyashiki sabe o quanto a eterna busca representa para as pessoas, mas se preocupa com o que ele chama de ditadura da felicidade. “O mundo exige que as pessoas estejam permanentemente alegres e, por isso, ele se tornou o paraíso das drogas e do Prozac”, observa. Para Shinyashiki, está mais satisfeito quem entende os altos e baixos da vida. “Ninguém é plenamente feliz com o trabalho nem tem orgasmos múltiplos todos os dias. O importante é ouvir a própria consciência em vez de buscar os aplausos dos outros”, ensina. Ele, por exemplo, se sente feliz quando chega em casa e os filhos pulam em seu pescoço e quando toca guitarra com os amigos. Valorizar as pequenas coisas pode ser um bom começo, assim como ser coerente com o projeto de futuro. Vale a pena tentar.

Fonte: Revistas Elle e IstoÉ


segunda-feira, 27 de julho de 2009

A "ignorância" torna as pessoas mais felizes?



Pesquisador italiano afirma: quem estuda mais tende a se sentir mais frustrado, por não conseguir atingir o sucesso que supõe merecer

Uma carreira de extremo sucesso é o sonho natural de quem frequenta uma universidade e encara os livros com dedicação. Mas ele nem sempre se realiza. Paralelamente, um operário que consiga sustentar os filhos pode tirar do trabalho muito mais satisfação, já que estudou pouco e tinha baixas expectativas. "A ideia de que a evolução na carreira e o aumento das possibilidades de consumo invariavelmente contribuem para um maior bem-estar é consenso na economia. Mas não tem muito suporte na psicologia", afirma o economista italiano Francesco Ferrante, da Universidade de Cassino, na Itália. Para Ferrante, quanto mais educação, maiores as expectativas do trabalhador - e também maior a frustração, caso esses sonhos não se realizem. "De fato, a educação e o acesso a ambientes estimulantes podem ter um efeito perverso na satisfação com o trabalho".

Na pesquisa (com italianos), as declarações de alta satisfação com a vida aumentam até os 10 anos de escolaridade, e caem entre aqueles que estudaram mais que isso. As declarações de baixa satisfação com a vida atingiram seu pico entre aqueles com 15 anos ou mais de escolaridade.

O economista explica que, à medida que o trabalhador encontra mais oportunidades de escolha em relação ao trabalho, torna-se mais pressionado por dúvidas e concessões a fazer. O problema, de acordo com Ferrante, é que, ao fazer qualquer escolha, há sempre a possibilidade do arrependimento. "Quando as possibilidades aumentam, nossos padrões para o que é aceitável também se elevam. E quando o resultado não é o esperado, fica a frustração, porque havia inúmeras outras possibilidades que não foram escolhidas", diz o pesquisador. Ao mesmo tempo, o trabalhador com pouca instrução, sem muitas possibilidades no emprego, pode encontrar satisfação apenas por ter seu dinheiro garantido.

O economista não questiona, porém, o valor da educação. Ele a considera uma importante variável para a satisfação pessoal e profissional. A educação alarga o horizonte e as possibilidades pessoais e profissionais - como trabalhar em um outro país, receber salários polpudos ou montar um negócio bem-sucedido. O que o Ferrante mostra, porém, é que a abordagem puramente técnica da relação entre educação, trabalho e satisfação não contempla as nuances psicológicas do homem, com seus conflitos internos e desejos, que mudam de acordo com as realizações. Algumas poucas vitórias são suficiente para inflar ambições, que podem se tornar inacessíveis e, assim, gerar insatisfação.


Gráfico acima mostra o nível de satisfação ao longo da vida (idade/satisfação)

Ferrante também detectou, com base em estatísticas do censo italiano, que a satisfação profissional dos bem educados muda ao longo da vida. "A [curva da] satisfação tem formato de U", afirma. No início da carreira, o contentamento com as conquistas acadêmicas e o mundo de possibilidades profissionais garantem a felicidade do trabalhador. Na maturidade, ele sofre ao perceber que muitos sonhos não serão realizados (essa fase chega por volta dos 55 anos para os italianos, mais tarde do que em outros países, segundo Ferrante). No final da vida produtiva, vem a aceitação das vicissitudes, e as pequenas conquistas recebem um olhar mais carinhoso. O pesquisador também nota que as mulheres são mais satisfeitas que os homens, devido a restrições que recebem em sociedades ainda machistas. Apesar de ter sido realizado com base na população italiana, Ferrante acredita que suas percepções são universais. O estudo foi apresentado na conferência internacional "Economia Comportamental, Psicologia Econômica: Teoria e Política", em Halifax, no Canadá, no mês passado.

(Fonte: Revista Época)


segunda-feira, 1 de junho de 2009

Homens sabem quando as mulheres traem

Estudo publicado no jornal de Evolutionary Psychology afirma que os homens têm um "sexto sentido" para detectar a infidelidade nas mulheres. Os pesquisadores fizeram testes cognitivos com homens e mulheres e descobriram que, assim como a gente tende a perceber quando alguém se aproxima - e não perceber tanto quando alguém sai de perto de nós (mais interessante se você vai ser roubado, por exemplo) - os homens sentem quando há chances de um corno nascer na cabeça.

 

Evolutivamente, a mulher que trai o homem ainda pode ter seu próprio filho. Já o homem é obrigado a criar a prole alheia (se não desconfiar em tempo hábil que seu filho tem a cara do padeiro). A pesquisa também descobriu que o fato de homens demonstrarem uma tendência maior para a traição pode ser reflexo desse medo de ser traído (ah, que desculpinha, vai...).


Fonte: Revista Superinteressante

segunda-feira, 18 de maio de 2009

A fórmula do amor eterno

Eu sempre me pergunto por que alguns amores dão tão certo enquanto outros parecem já nascer fadados ao insucesso. E não estou falando somente de tempo, não, mas de viver bem. De sentir que temos ao nosso lado uma pessoa bacana, que nos compreende e com a qual podemos contar em qualquer situação da vida. Aquela pessoa que, muitas vezes, chamamos de alma gêmea.   

Por outro lado, existem relacionamentos que parecem verdadeiros furacões. São pessoas que, mesmo se gostando muito, não conseguem permanecer juntas, pois passam o tempo todo brigando e tecendo críticas uma à outra. São os chamados “Casal 20” – 10 minutos de amor e 10 minutos de briga. 

É complicado falar dessas coisas, pois cada ser humano é único, tem seu jeito de ser e de amar. O que é importante para um pode não ser tanto para o outro, da mesma forma que beleza e gosto não se discutem. 

Um dia desses li uma matéria interessante na revista Época, sobre estudos que vêm sendo realizados no sentido de mapear o cérebro para tentar entender como funciona a genética do amor. Segundo a matéria, o segredo da paixão eterna é a ativação de um circuito na área tegmentar ventral, uma região do mesencéfalo, no meio da cabeça. 

Certo, não soa nem um pouco romântico, mas essa descoberta de cientistas de duas universidades americanas pode ajudar a entender por que alguns relacionamentos duram tanto e outros tão pouco. A área tegmentar ventral é acionada quando algo nos dá prazer. 

Os pesquisadores das universidades Rutgers e Stony Brook, nos Estados Unidos, detectaram em imagens computadorizadas um pequeno ponto de luz, indicador desse circuito cerebral em atividade, nas pessoas que têm relacionamentos estáveis há pelo menos duas décadas. Pode ser a prova de que não é uma ilusão a paixão que permanece tão intensa quanto no primeiro dia. 

Casais de longa data que se dizem tão apaixonados quanto no primeiro encontro contam como encaram o amor – não estariam, portanto, se iludindo, como apregoam os céticos e os de coração calejado – ou cérebro desligado. Os pesquisadores compararam o cérebro de 17 homens e mulheres que relatavam sentir uma paixão intensa pelos companheiros de décadas com os de namorados há menos de um ano juntos. Um equipamento de ressonância magnética mostrou que, ao verem fotos do parceiro, os cérebros dos apaixonados veteranos reagiram da mesma maneira que os dos namorados recentes: a tal “área tegmentar ventral” foi ativada. 

“Nós ainda não temos certeza quanto aos fatores que fazem a paixão durar tanto tempo em alguns casais”, diz o psicólogo Arthur Aron, um dos coordenadores do estudo. Mas há suspeitas de que esses motivos sejam mais uma questão de “quem” em vez de “o quê”. “É preciso escolher a pessoa certa para que a paixão seja duradoura”, diz a antropóloga Helen Fisher, outra coautora do estudo e uma das mais respeitadas especialistas nas transformações cerebrais causadas pela paixão.  

Leia abaixo a entrevista publicada pela revista Época:


OS AVANÇOS DA GENÉTICA E DAS TÉCNICAS PARA MAPEAR O CÉREBRO AJUDAM A EXPLICAR POR QUE CERTAS PAIXÕES DURAM E OUTRAS NÃO

Os avanços da ciência nos últimos anos podem ajudar na busca pelo parceiro ideal? Ao que tudo indica, sim. As técnicas de mapeamento do cérebro já conseguem mostrar o que acontece com ele quando estamos apaixonados. E a genética está ajudando a explicar por que nos sentimos atraídos por determinadas pessoas e por que outras que teriam tudo para nos atrair se tornarão, no máximo, bons amigos. Já são vendidos testes genéticos com a promessa de unir casais que teriam literalmente nascido um para o outro. Pode ser um pouco precipitado, considerando o estágio atual das pesquisas. Mas até que ponto a ciência pode determinar por quem nos apaixonamos? Os sintomas clássicos do surgimento da paixão – o frio no estômago e as mãos suando – poderiam ser trocados por um impessoal exame de laboratório? 

Para algumas pessoas, isso já é realidade. Por US$ 1.995,95, a empresa americana ScientificMatch diz encontrar o parceiro mais compatível geneticamente com seus clientes – mas apenas entre a seleta base de usuários cadastrados em seu site, porque o exame está disponível apenas em algumas regiões dos Estados Unidos. No laboratório suíço GenePartner, um serviço semelhante custa US$ 299. Casais que queiram se certificar de que seus perfis genéticos combinam têm de desembolsar US$ 399. Sete brasileiros já solicitaram os serviços do GenePartner, segundo a bioquímica Tamara Brown, diretora-técnica do laboratório. A empresa já está negociando uma parceria com um site brasileiro. “Planejamos lançar o Enamorados até fevereiro”, diz Christina de Moura Coutinho, sócia do projeto brasileiro. Os testes genéticos devem ter preços semelhantes aos do GenePartner, porque serão feitos no laboratório suíço. 

Encontrar o parceiro ideal, prometem essas empresas, não exige mais produzir-se, frequentar bares e festas para solteiros ou enviar bilhetinhos amorosos. Basta passar no interior da bochecha uma haste de algodão previamente encomendada e enviar de volta, pelo correio, essa amostra de saliva e células da mucosa interna da boca. A compatibilidade genética é determinada pela análise de genes chamados MHC (sigla inglesa para “complexo principal de histocompatibilidade”). Eles controlam como o sistema de defesa do organismo reconhece e combate invasores, como fungos e bactérias. Quanto mais diferentes forem esses genes entre os parceiros, maior seria a compatibilidade. É a lógica da sobrevivência da espécie: quanto maior a diferença entre os genes MHC dos parceiros, maior a chance de produzir filhos resistentes a doenças. Parafraseando Manuel Bandeira, autor dos versos “O que tu chamas tua paixão/É tão somente curiosidade”, poderíamos dizer: “O que tu chamas tua paixão/É tão somente histocompatibilidade“. 

Estudos sugerem que os MHC influenciam o odor e a saliva. Isso explicaria por que os parceiros mais “compatíveis” conosco (ou seja, aqueles com genes MHC mais díspares) teriam um beijo bom e um cheiro irresistível, enquanto entre aqueles com perfil genético parecido “a química não rola”. O psicólogo Gordon Gallup, da Universidade Estadual de Nova York, concluiu que 59% dos homens e 66% das mulheres que participaram de uma pesquisa perderam o interesse no pretendente depois do primeiro beijo. Ele acredita que eles teriam percebido pela saliva ter um sistema de defesa muito parecido com o do parceiro. Já se tornou um clássico o Estudo da Camiseta Suada, realizado em 1995 pelo cientista suíço Claus Wedekind. Ele pediu a um grupo de homens que vestissem a mesma camiseta por dois dias. Depois, pediu a um grupo de mulheres que cheirassem as camisas e apontassem quais as deixaram mais atraídas sexualmente. Wedekind descobriu que elas preferiam o cheiro dos homens com mais genes MHC diferentes. Em 2005, um estudo da Universidade Federal do Paraná obteve resultados semelhantes quando mulheres avaliaram o odor de homens – mas não quando os homens cheiraram amostras de suor feminino. 

Assim como essas pesquisas abrem a possibilidade de testes de DNA para a escolha do parceiro, já há estudos que levantam a hipótese de um determinismo genético também na traição. Cientistas do respeitado Instituto Karolinska, na Suécia, publicaram em setembro um estudo que assustou muitos homens. Eles estudaram 552 pares de gêmeos e suas mulheres e constataram que os homens com duas cópias de determinado gene tinham mais chances de se separar, de não estar casados oficialmente ou de ter um relacionamento em que suas parceiras não estivessem satisfeitas. O pedaço de DNA em questão ganhou logo dois apelidos – “gene do bom marido” e “gene do divórcio” (conforme o ponto de vista). Os próprios autores do estudo se apressaram a dizer que é muito cedo para falar em um exame genético que avalie a probabilidade de sucesso de um relacionamento. Afinal, inúmeros outros fatores estão relacionados ao sucesso de uma união além da simples presença ou ausência de um gene. Falta descobrir muito sobre o genoma humano, mas já se sabe que são raras as situações em que um só gene é o único responsável por determinada característica. Nossa aparência, nossa saúde e o funcionamento da nossa mente são em geral determinados por um complicado quebra-cabeça, que envolve não apenas vários genes, mas também a poderosa contribuição do ambiente em que vivemos. 

É por esse motivo que nem as empresas que vendem os testes genéticos garantem 100% de acerto em seus testes. Elas não recomendam terminar um relacionamento só porque o exame indicou pouca compatibilidade. Há casais que são ligados por hobbies, religião ou outros interesses em comum. A combinação biológica não é necessariamente o fator preponderante. Embora esses testes tendam a se tornar mais precisos com a evolução dos conhecimentos sobre a química do amor, devem ser encarados como um simples indicador, entre vários outros. 

Onde mora a paixão duradoura

Esqueça o coração. Estas são, segundo os cientistas, as áreas do cérebro ativas em quem se diz “intensamente apaixonado” após 20 anos de relação

Mesmo que encarássemos a escolha do parceiro ideal como um processo puramente “científico”, a compatibilidade entre genes MHC seria apenas um dos critérios. Do ponto de vista evolutivo, a meta de cada indivíduo é conquistar um companheiro saudável (garantia de bons genes) e com características psicológicas que revelem disposição para ajudar a criar os descendentes (o que asseguraria a sobrevivência da prole). “Como herdeiros de ancestrais que tiveram sucesso ao se reproduzir, cada um de nós carrega essas estratégias de conquista”, afirma o psicólogo americano David Buss, professor da Universidade do Texas e autor de um estudo com 9.400 pessoas, de 37 culturas, que confirmou a universalidade dos atributos buscados em um companheiro. 

As características físicas, sem surpresa, parecem ser os estímulos iniciais da paixão. “Elas são bons indicadores de saúde e vigor”, afirma César Ades, pesquisador da Universidade de São Paulo e especialista em comportamento animal. As mulheres prestariam mais atenção ao rosto dos homens do que ao corpo porque a face mostra sinais de virilidade, como maxilares largos e lábios finos. Como eles são esculpidos pela ação da testosterona, um hormônio determinante nos homens, seriam sinais inequívocos de masculinidade. No caso dos homens, cintura fina e quadris largos estariam entre as características mais observadas e desejadas nas mulheres. Um estudo da Universidade do Texas apontou que a cintura (a esbelta, claro) foi a parte do corpo feminino mais citada em obras da literatura inglesa entre os séculos XVI e XVIII, da poesia chinesa do século IV ao século VI e de dois clássicos da literatura indiana entre os séculos I e III da era cristã. A falta da cintura bem marcada denunciaria gordurinhas abdominais, que, segundo alguns estudos, estariam relacionadas à infertilidade. O tamanho ideal da cintura feminina seria 70% da circunferência do quadril. 

Ainda é difícil explicar como as dicas da genética e as características físicas e comportamentais consideradas atraentes se transformam em um sentimento arrebatador. Capaz de fazer o coração disparar, a mente não parar de pensar em alguém e que torna um encontro uma necessidade. Mas a ciência já sabe como o cérebro se comporta de acordo com cada emoção. Inclusive o cérebro dos gays. Usando imagens de ressonância magnética, a pesquisadora Ivanka Savic, do Instituto Karolinska, concluiu que o cérebro de mulheres homossexuais apresenta o mesmo padrão de funcionamento de homens heterossexuais. O mesmo vale para mulheres hétero e homens gays. Ao sentir o cheiro de hormônios masculinos, o hipotálamo é acionado no cérebro das mulheres e dos homens gays. Em seu estudo mais recente, Ivanka descobriu que a amígdala, uma região do cérebro associada às emoções, é ativada da mesma maneira tanto nos homens quanto nas lésbicas. 

A descoberta das alterações químicas no cérebro causadas pela paixão abre uma nova possibilidade: criar no futuro drogas que possam agir sobre esses circuitos cerebrais e ajudar a aplacar a dor de um rompimento ou até, quem sabe, fazer alguém se apaixonar. A hipótese foi levantada na última semana em um artigo na revista científica Nature do bioquímico Larry Young, pesquisador de genética comportamental da Universidade Emory, nos Estados Unidos. “Drogas que manipulem os sistemas cerebrais para aumentar ou diminuir o amor podem não estar distantes”, escreve. Young lembra que medicamentos como o Viagra, usado para tratar disfunção erétil masculina, e o antidepressivo Prozac já atuam sobre algumas das substâncias também envolvidas no amor e na paixão. E se pergunta se alguém acharia ruim contar com drogas que manipulem esses sentimentos. “Afinal, o amor é insanidade”, escreve. 

Os estudos que retratam o funcionamento do cérebro confirmam a aura de “sentimento que foge à razão” conferida à paixão. A antropóloga Helen Fisher, a autora do estudo com os apaixonados de longa data, diz que a paixão pode ser comparada a um vício. Ela ativa partes do cérebro que integram os “circuitos de recompensa”, aqueles que nos incentivam a conseguir o que causa prazer, sejam doces, jogos de azar ou a pessoa amada. São os mesmos circuitos acionados durante o consumo de drogas. É por isso que romper um relacionamento pode causar uma espécie de crise de abstinência análoga à provocada pela falta de droga no corpo de um adicto. 

As transformações químicas causadas pela paixão em geral não duram muito, a não ser em casais especiais, como os estudados recentemente por Helen Fisher. Os cientistas estimam que essas alterações persistam por dois anos. Enzo Emanuele, da Universidade de Pavia, na Itália, mediu o nível dos hormônios relacionados à paixão no sangue de 39 casais juntos há dois anos. E confirmou que eles apresentavam uma concentração menor do que pessoas que declararam estar intensamente apaixonadas. Mas isso não significa que a relação esteja fadada a acabar. É nesse momento que ela pode se transformar em amor, um sentimento mais pleno e menos urgente do que a paixão. 

No estudo de Helen Fisher, em parceiros de longa data foram ativadas as regiões do cérebro relacionadas à sensação de calma, enquanto áreas ligadas a sentimentos obsessivos e à ansiedade eram acionadas apenas nos casais recentes. Uma pesquisa da psiquiatra italiana Donatella Marazziti, da Universidade de Pisa, chegou a comparar a paixão ao Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC), caracterizado por comportamentos repetitivos e manias. Quando comparados às demais pessoas, os níveis de serotonina, uma substância com efeito calmante, são até 40% mais baixos em quem sofre de TOC. Ou de paixão. 

O amor estaria mais relacionado ao tipo de apego que há entre mãe e filho. “O amor maternal e aquele em que homem e mulher compartilham circuitos cerebrais são muito semelhantes”, afirma o neurocientista Jorge Moll Neto, coordenador da Unidade de Neurociência Cognitiva e Comportamental da Rede D’Or de hospitais e laboratórios privados, no Rio de Janeiro. Ambos são moderados pelo hormônio oxitocina, o mesmo liberado em grandes quantidades quando as mulheres amamentam e que cria um laço tão profundo entre mães e filhos. Em uma relação entre homem e mulher, a oxitocina é liberada com o orgasmo. Essa mudança química seria a maneira que a evolução “encontrou” para manter os parceiros que procriaram focados em criar os filhos. Após essa etapa, eles estariam livres de novo para se apaixonar, amar e gerar mais descendentes. 

Por enquanto, conhecer a fisiologia das emoções ainda não garante a eficácia dos testes genéticos para encontrar o companheiro ideal nem o desenvolvimento de uma poção do amor. Mas ajuda a entender que é normal a paixão esfriar. Que a dor de um rompimento vai passar assim que a química cerebral acabar. E que estaremos com o coração – e o cérebro – livre para olhar para outro homem de maxilar largo ou para outra mulher de cintura fina. É a nossa natureza. 

(Fonte: Revista Época)